Uber em Porto Alegre

Eu tenho uma pergunta para os nobres vereadores porto-alegrenses: os senhores já andaram de Uber?

Vejam bem, é uma pergunta sincera, vinda de alguém que tenta compreender porque os senhores acham que há algo a ser consertado (ou regulado) na operação da empresa. Me ocorre, porém, que talvez o problema seja justamente esse. O que há de errado com o Uber é que ele funciona sem o aval, a orientação ou o planejamento do Estado. Incomoda que uma empresa privada tenha aliviado o caos urbano causado por vocês na realidade da nossa cidade. E tudo isso sem comprar um único carro.

A propósito, os senhores estão cientes de que tudo de errado que existe no setor de transportes foi causado pelos senhores e pelo sistema do qual os senhores são representantes, não?! Foram as suas regulações, as suas burocracias e o seu planejamento centralizado que fizeram da Trensurb esse poço de ineficiência. São os senhores os responsáveis pelo povo sendo transportado feito gado num ônibus lotado. E, principalmente, são os senhores os responsáveis pelo táxi ter se tornado um meio de transporte ruim, caro e elitista.

“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.” — Ayn Rand

Eu compreendo que na sua confortável posição entre os 2% mais bem pagos do país pode ser difícil compreender essa realidade, mas peço que façam um esforço. Os senhores acham justo que as camadas mais baixas da população percam o direito a um transporte digno, num bom carro dirigido por um motorista solicito e educado? Os senhores acham certo que as mães das regiões mais afastadas do centro da cidade não possam mais descansar em paz com a certeza de que os filhos voltarão seguros da festa? Ou os senhores pensam que os jovens desses locais mais distantes não têm também o direito de sair a noite e retornar para casa em segurança? Esse direito deveria ser reservado apenas a elite composta pelos senhores, que vivem às custas do trabalho dessas pessoas a quem os senhores negam a possibilidade de um transporte digno?

Não lhes parece vergonhoso que num mais com mais de 12 milhões de desempregados, os senhores — que vivem de forma parasitária, às custas de toda a população produtiva — criem empecilhos para uma empresa que busca uma solução lucrativa e sustentável aos problemas caros e deficitários criados pelo Estado? Os senhores percebem a triste ironia que é a sua classe ter poder de acabar com esse serviço, com esses empregos, com essas oportunidades?

Peço encarecidamente que os senhores saiam do caminho para que o progresso possa passar. Chega do atraso das suas burocracias. Nós estamos fartos! Se limitem a receber seus salários gordos sem fazer nada, porque qualquer coisa além disso só prejudica ainda mais aqueles que tentam produzir enquanto são expoliados para sustentar esse sistema ultrapassado que os senhores representam. Indivíduos não precisam de vereadores, de reguladores ou qualquer outra máquina pública de criar atraso. As pessoas precisam é que a sua burocracia saia do caminho para que novas ideias possam florecer. Novos serviços, novas tecnologias, novos modelos de negócio. Tenham a mínima consideração pelos pobres coitados que trabalham para encher as suas contas bancárias e só parem.

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