Caetano

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Caê, eu dizia de você ontem
Depois que o cansaço me venceu.

Eu te imaginava acariciando meus cabelos
Me botando para dormir,
Correspondendo aos meus anseios pela tua voz
Sonora e silenciosa, ao mesmo tempo.

Caê, sei lá o que sinto por ti
É difícil saber — e reconhecer.
Eu ando numa tristeza arquitetada
Pela minha razão.
Eu ando e tropeço na tua fagulha
Na tua doçura, no teu coração.

Caê, se tu fosses o céu eu estaria triste
Porque tu serias inalcançável.
Caê, tu és terra que suja meus pés quando corro
Atrás do que há de novo
Nessa vida celebrável.

Celebremos a vida e o instante agora
Que se dilui numa hora, que se perde num dia
Que se perde num ano, que se perde.

Caê, tu és o princípio do calor que emana
Do meu corpo e queima a face do outono.
Eu esfriava, eu congelava lá fora
E tu me puxaste para dentro
Para dentro — sem demora.

Teus olhos castanhos, teus cabelos castanhos
Tentam me vasculhar o perímetro do corpo
Se arrastam languidamente no meu rosto
Descem pelos meandros do meu rio inesgotável.