Cette femme

Constant Puyo, Aubade Matinale, 1906.

Antropofágica
adentra o espelho
enigmática
aponta um dedo
a mulher flutua
na sua imensidão
no líquido que coagula
virando borrão
uma mulher em seu rastro
animalesco
uma mulher de onde lhe vi 
de repente nascendo 
o mesmo vermelho
obsceno
na sua víscera
e punhal
a mulher flutua
num pêndulo invisível
gesticula
e se vê nua
e risível
essa mulher: eu
com sua confusão
alvoroçada,
com seu tesão
amordaçado
talvez eu me beije na boca
para provar o que sou
mas, não, não lhe provarei nada
já sou uma mulher
sempre escancarada
foi você quem me lembrou
ao enxergar minha falha
você, numa farda
de gravata
e sem roupa.