poesia_28

Se há algo que

Nunca quero extinto em mim

É esse assombro pela vida,

Pela coisa intuitiva.

Esse medo inveterado

Vai me acompanhar do branco

Às gradações de cinza

E à cor negra do ocaso.

Nasci no colo mais quente

E até os oito anos eu sabia

Apenas da dor arredia

De se extrair um dente.

Até que cresci em complexidade

Quebrando a espinha dorsal

Do desejo.

Era meu o que tinha me sido dado

Era meu!

Hoje, tento a sensibilidade do tato

Para rever

O que se perdeu.

O que se perdeu

Não fez raízes na lembrança

Por habitar

A mais íntima entranha.

No final das contas, eu sei –

O mapa que me leva à mim

Foi minha criança

Quem desenhou.