poesia_29

Marc Chagall.

Amor-retrovisor

eu atraio a própria alma

que de fugidia e reluzente

quedou-se no fundo da lágrima

agora, ausente.

olho-me em retrospecto

tentando não escapar;

o copo em cima do inseto

para o inseto não voar.

olho-me tanto que dói

o rasgo que fiz

no tecido do meu rosto

para que me visse, feliz.

eu era feliz contigo?

ou me obrigava a ser?

queria porque queria

a fagulha acender.

no retrovisor, meu amor

encarnado.

sou eu, eu própria

a legítima cópia

do ser amado.

dentro do meu olho

a pupila dilata

querendo me ver de novo

na minha falta.

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