poesia_32

Carnaval

de tempos em tempos

te vejo,

de tempos em tempos

somos os mesmos

de dez anos atrás.

a gente tem uma crença,

rito, ritual e ritmo

que faz a coisa toda

ser a mesma.

éramos eu e você

cobertos de certeza.

nada para ser

além da essência –

e do extremamente

essencial.

e é tão bonito

que a gente sempre seja

no carnaval!

te abraço e te possuo

num milissegundo

de amor primordial.

como eu te quero

de tempos em tempos!

pra te lembrar

com assombro

e te ter

sem remorso.

pra te guardar

num quase-vazio

e de repente, sutil,

te ver preencher!

devagar, tu vens

e me tenho nas nuvens

e nas margens,

aos teus pés.

Gabriela de Oliveira

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Eu vim aqui para transbordar.