poesia_35

Águas diáfanas

Apressam-me o verão,

Quais cores serão adagas

A perfurarem meu coração?

Outrora, eu era inteira

Subvertendo as estações,

Fazendo chover, triunfante,

Para a abertura de botões

(das rosas e da minha roupa).

Calculo um passo além

Mas não vou, por calcular;

Sinto n’alma o vai-e-vem

Do tempo que é mar.

Águas diáfanas

Lavam o meu corpo:

Escorrem estrelas

Tão logo me movo.

Eu, feita de ilusão,

Habito meu amor

Sem ideia,

E seguro o tempo

Feito de geleia.

Estás atento ao que digo?

Morrerá comigo

Toda a perplexidade –

Não, não me matará a verdade,

Apenas o meu fascínio.

Quero acordar sem fenecer

Ao olhar pro olho desnudo!

Encarar o amor-fecundo

E deixar-me florescer.

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