poesia_35
Feb 24, 2017 · 1 min read

Águas diáfanas
Apressam-me o verão,
Quais cores serão adagas
A perfurarem meu coração?
Outrora, eu era inteira
Subvertendo as estações,
Fazendo chover, triunfante,
Para a abertura de botões
(das rosas e da minha roupa).
Calculo um passo além
Mas não vou, por calcular;
Sinto n’alma o vai-e-vem
Do tempo que é mar.
Águas diáfanas
Lavam o meu corpo:
Escorrem estrelas
Tão logo me movo.
Eu, feita de ilusão,
Habito meu amor
Sem ideia,
E seguro o tempo
Feito de geleia.
Estás atento ao que digo?
Morrerá comigo
Toda a perplexidade –
Não, não me matará a verdade,
Apenas o meu fascínio.
Quero acordar sem fenecer
Ao olhar pro olho desnudo!
Encarar o amor-fecundo
E deixar-me florescer.
