poesia_36

Felicidade repentina

Nada sei além da corrida

Até o Tempo, sepulcral;

Estou indo, coagida

Ao impulso-final.

Tento escrever o que me dói

E acabo dando voltas

Na carcaça da Felicidade.

Sou bicho e a devoro

Detritívora, me demoro

Em sua concavidade.

Quando viva, era uma ideia

E porisso, a própria cousa

Imperando, insincera

Naquilo que a toma.

Quando viva, mal a senti

E assenti não a ver

Felicidade que não vi

Fiz de súbito, viver.

Gabriela de Oliveira

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Eu vim aqui para transbordar.