poesia_47

Alexandra Eldridge

Malu

Não conheço Malu

Mas a minha sorte é grande;

Porque Malu existe na metafísica

Sem quê, sem como, sem onde.

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Malu existe e basta e persiste

Na morada do meu sujeito, atônito.

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Malu: decora minha silhueta,

Desenha-me, projeta-me, proteja-me!

Posterga esse cansaço bom

E me enlaça nas suas craves de Sol!

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Malu, sorrindo, não procura

Outro alguém pra sorrir de volta;

O sorriso é um ponto final

Para a loucura do dia.

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O sorriso é transcendental

Linha que me conduzia.

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Não conheço Malu

Mas o seu entendimento é o de não entender.

Se Malu sente, Malu age, faz arder

O céu, a paisagem, o meu bem-querer.

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Malu tem dois olhos de amêndoas doces

Que quase ninguém devora.

Porque essa docilidade espanta, desmonta, explora.

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