poesia_52

Rebecca Blair

eu que finjo coisas d’alma

que falo sentir no âmago

e que defendo a palavra,

me calo, diante do canto.


só sei lidar com o teu cheiro

quando ele me é uma ideia.


sempre estou cheio de noções,

estimativas, metáforas, metafísicas;

mas nunca te ofereci o toque

e as mãos permanecem vazias.


das ilusões, quero as mínimas,

das invasões, quero as extremas,

porque tu só me habitas

enquanto poemas.


eu que finjo coisas d’alma

te finjo também e esqueço

que minha verdade é rasa

e que mal te permeio.


o que escrevo agora não explica,

não soluciona, tampouco comove.

tão limitada minha rima

que nem lhe atribuo nome.

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