poesia_9

Cosmonauta

sozinho em meu aparato

viajando no tremeluzente espaço

a paisagem se desloca.

estrelas nos postes de luz

uma lua grafitada

e meu negro capuz

de cosmonauta.

a viagem toda é muda

e nada me importa

somente aqui e ali

meu sentimento desmonta.

aprecio o que é meu

o equipamento fisiológico

a oclusão das minhas asas

frenéticas outrora.

de longe, a realidade é

um organismo vivo

com células do acaso;

um animal que respira

lentamente

fora da jaula

e todo contente.

o mundo em si é perfeito

sem nenhuma rachadura

e me acalma sua distância

e sua errância

na trilha escura.

dentro de mim

uma completude estranha

uma pequena façanha

do meu ser sem fim.