Sementinha

Michelle Holmes

Tu não te moves de mim, sementinha
Estás sempre a vingar, meu pequeno broto
De contente te colho e tu pões a findar.

Tu não te moves de mim, sementinha
E mal sei o tempo que serás bem feita
Para que haja, por fim, a colheita
Da planta que em ti mora
E meu sono frequenta.

Eu não posso te ver, estás na terra profunda
Nas profundezas difusas do meu ser.

Eu não posso te ver e, no entanto, sei que para ti é todo canto
E toda fé, e todo santo. Eu te quero tão bem!

Você bem sabe, ando meio sensível às condições climatéricas
Mas tu estás num lugar inalcançável e tua rosa sairá, um dia, pela minha boca.

Por ora, te vigio de longe, enquanto teu verde se expande
Para todas as direções do meu corpo.

Eu te faço chuva, mesmo no cansaço
Porque tu sempre cuidas do meu subsolo, do meu lastro.

Tu cresces no tempo que te cabe
Para que, logo eu te lavre, quando livre;
A luz, através de mim, incide
E te alcança
E te enlaça
Até que te decifre.

Enfim, já decifrada, tu abrirás em cheio
Por uma brecha aberta em meu peito.

Saudarás aquela gente que te ama, que te venera.

(Mesmo quando tu eras pequena, habitando o fundo da terra.)