Sobre a ilusão e outras armas letais

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Resquícios das células da tua pele ainda estão embaixo das minhas unhas
E isso realmente não importa e parece tão inautêntico
Depois de treze dias sem insinuações do teu rosto quase extinto.

Eu entendo, eu desentendo — nesse ritmo.

É da minha natureza te olhar de canto de olho
Porque é certo, eu quase morro
Quando constato a distância
Dos teus cílios até os meus.

Você sabe, eu sou muito boa em matemática
Eu calcularia
O tamanho da Ásia em passos
O tempo de um ano em respirações
A temperatura de um corpo em tremores
E o teu calor em verões.

Eu entendo, eu desentendo.

Qualquer dia travo uma briga
Contra mim mesma
Desarmo minha poesia
Eu chuto o balde, eu viro a mesa.

Você sabe, eu sempre puxo o gatilho
E lhe transfiro trezentos versos de amor.

Puxo o gatilho
E aniquilo toda minha promessa de realidade.

Eu entendo, eu desentendo
Em perplexidade.

Mas é que não consigo, não consigo esquecer
Como tu ficas bonito
Quando em palavras, te explico
Sem ao menos entender.