Como ajudar a economia em 2016 (e, de quebra, ser uma pessoa melhor)

A pergunta que todo mundo fez (a si mesmo ou aos outros) nesse fim de ano foi: como vai ficar a economia brasileira em 2016? Será mesmo que vai ser um ano mais difícil do que 2015?


Não sou economista nem nada, mas tenho pensado bastante no assunto. E a única resposta a que consigo chegar é a seguinte: a economia pode ser o que contribuirmos para que ela seja, e não algo que depende só do governo.

“Eu acho que é bom ter sonhos. E vc, não?”

Mas como, se não é a população que define o nível de emprego, os preços, a taxa de juros, a cotação do dólar? É verdade que não temos controle direto sobre esses elementos, que vivem no noticiário mas às vezes parecem muito distantes do dia a dia. Por outro lado, temos total controle sobre nossas escolhas diárias, e elas podem sim afetar alguns desses fatores (que os entendidos chamam de “macroeconômicos”).

Veja sugestões de como você pode ajudar a economia em 2016:

1 — Privilegie o comércio de bairro

“Eu quero ir lá…”

Um dos primeiros sinais que senti da crise foi ainda em 2014, quando algumas lojas do meu bairro começaram a fechar. Em 2015 a situação piorou muito, e várias lojas no meu entorno encerraram as atividades.

Se na sua vizinhança o panorama é similar, que tal dar uma chance ao comércio de bairro? Pode ser que você tenha boas surpresas: os preços podem ser menores, ou o custo/benefício pode ser melhor (porque você economiza o transporte ou a gasolina e estacionamento). Pode ser até que você gaste menos — quem nunca foi ao shopping para comprar “uma coisinha” e saiu de lá carregado de sacolas (e cheio de dívida no cartão)?

Pensar duas vezes antes de ir ao shopping pode ter outras vantagens. Estudos feitos na Inglaterra mostram que comprar do comércio local ajuda a economia, pois o dobro do dinheiro tende a circular onde você vive, o que estimula os negócios da região (e, com isso, o emprego e a renda).

2 — Priorize itens em promoção

“96% de desconto!”

Se teve um hábito que cultivei em 2015, foi privilegiar itens com desconto. É simples: não precisa ficar louco monitorando anúncios de lojas e supermercados; basta se acostumar a só olhar para as etiquetas de cor diferente, que anunciam os itens em promoção.

Quer comprar leite em pó, por exemplo? Olhe para as prateleiras desse produto e procure as etiquetas diferentes (onde eu compro, costumam ser as vermelhas). Se não houver nenhuma, e você puder esperar, deixe para comprar na semana seguinte (e repita o procedimento); se não puder esperar, procure preços melhores em outras lojas locais ou na internet.

Seguindo essa regra básica, cheguei a comprar itens como café em cápsula e tortilha de bacalhau (!) por metade do preço. Assim você consegue economizar em vez de parar totalmente de comprar aqueles supérfluos de que mais gosta — o que seria ruim não só para a economia, mas para o seu humor (e, portanto, para quem está à sua volta).

Além disso, faz o dinheiro circular — e, segundo o autor britânico David Boyle, “dinheiro é como sangue: precisa se movimentar para que a economia continue funcionando”. O segredo, no fundo, é não gastar de menos nem demais: os dois extremos podem ser ruins para você e para a economia.

3 — Não compre nada com preços ou aumentos abusivos

“O preço tá errado, mano”

Sabe aquela marca ou item que você adora, mas cujo preço não para de subir? Em 2016, é hora de desapegar. Pode ser algo tão básico quanto carne bovina ou tão supérfluo quanto o último gadget tecnológico; se tá fazendo mal ao bolso, deixe de lado.

O pior que pode acontecer é você passar por uma fase meio dolorosa de adaptação. E o melhor é que você pode descobrir coisas inconcebíveis… quem sabe, que você se sente melhor sem carne vermelha! Já pensou?

Outro lado positivo é que as empresas produtoras desses itens se veem estimuladas a baixar preço ou dar desconto, o que também pode ser bom para a economia. Aí você volta ao ponto 2 e aproveita a promoção sem culpa, dando um tempo no jejum (seja ele de picanha ou de celular novo).

Em caso de dúvida, não precisa virar fiscal do Sarney. Basta consultar páginas que denunciam preços abusivos na sua área, como o Rio Surreal (que já se espalhou para várias cidades via Facebook) e o Boicota SP.

A gente sabe que ver preço baixar no Brasil é mais raro do que ver o ET de Varginha, mas o tão falado Uber já provou que é possível. E sabe qual a lógica dos caras para diminuir as tarifas em plena crise? Economia de mercado, pura e simples: “(…) existe um equilíbrio ideal de preço dos serviços, no qual tanto os parceiros quanto os usuários saem ganhando”.

4 — Doe algo (seja lá o que for)

Dizem os chineses que, quando a gente põe as coisas velhas para fora, começa a atrair as novas, o que pode incluir prosperidade, saúde etc. Que tal, então, começar o ano fazendo uma limpeza nos armários, estantes, gavetas, quartinhos ou onde mais você acumular tralha?

“Quem atira um sapato? Sério”

Assim dá para descartar o entulho (de preferência de maneira responsável, e não como no GIF) e separar itens aproveitáveis por outras pessoas, sejam objetos, roupas, livros, eletrodomésticos. Esses itens podem ser doados (para indivíduos ou instituições) ou até revendidos, se a $ estiver curta ou você quiser fazer uma poupança.

Ao fazer a limpeza, você estimula a economia ao perceber que tem coisas em excesso, mas talvez faltem outras (que você pode até alugar em vez de comprar). Ao revender, você estimula a economia fazendo o dinheiro girar — taí o Mercado Livre incentivando a prática, por exemplo (existem várias outras opções de sites para compra e venda, e mesmo para troca).

Tudo isso promove a chamada economia colaborativa, ou compartilhada. Parece uma estratégia mais produtiva para começar 2016 do que vestir amarelo ou branco e esperar alguma mudança cair do céu, né?

5 — Compartilhe mais (de verdade)

É meu ou é seu?

A economia colaborativa serve também para transformar dificuldades em oportunidades. Está difícil pagar o aluguel ou a prestação? O carro financiado ficou difícil de manter? Por meio de serviços como AirBnB, DadaRoom, Fleety ou Tripda, você pode compartilhar esses recursos e gerar novas rendas.

Como você pode ver nos links acima, tem opção para todo mundo: se você não quer gente entrando e saindo de casa o tempo inteiro, vá de DadaRoom; já quem prefere essa troca deve ficar melhor no AirBnB. Os mais apegados ao próprio carro podem dar carona via Tripda; já quem não se importa de deixar outra pessoa dirigir deve faturar mais alto alugando via Fleety.

Esse tipo de estratégia pode inclusive virar estilo de vida, como aconteceu no caso da curitibana Bruna Castro. Ela passou de anfitriã no AirBnB a organizadora de uma casa multifuncional, que tanto pode hospedar pessoas como ser usada para coworking e até mesmo eventos: “Consegui não pagar para morar. Em troca, otimizo o espaço de uma casa que ficaria parada durante o dia e somo conhecimento”, contou ela para o Projeto Draft.

Agora que você já sabe como ajudar a economia em 2016, veja como isso pode fazer de alguém uma pessoa melhor:

  • Boa parte dessas práticas é mais sustentável, o que ajuda a preservar os recursos do planeta (e isso pode até aliviar as mudanças climáticas)
  • Algumas dessas dicas podem contribuir para que as pessoas se exercitem mais (ao caminhar pelo bairro) e se alimentem melhor (ao cortar alguns itens do cardápio), o que pode contribuir para melhorias na saúde
  • Parte delas envolve ainda mais contato humano ou é mais solidária, e estudos têm mostrado que essa capacidade de nos relacionarmos com os outros é fundamental para a qualidade de vida e até para prevenir vícios

Pode soar ingênuo que medidas simples como essas façam a diferença na economia brasileira em 2016, e talvez seja mesmo. Mas, se elas fizerem diferença nas suas contas, e de quebra na sua vida… 2016 já vai sair mais do que no lucro, nenão?

Feliz Ano Novo,
@gabidias

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