Sobre Mudar de Rumo

Minha história sobre escolher uma carreira

imagem retirada de pixabay.com

No ano de 2012 quando ainda tinha dezessete anos estava em um momento da minha vida em que a maioria dos jovens nessa idade se encontram. O que eu iria fazer quando eu terminar o ensino médio?

Para mim, fazer faculdade era uma certeza. Mas qual faculdade eu deveria fazer? Até aquele momento eu tinha considerado muitos cursos.

Enquanto estava no ensino fundamental considerei fazer biologia por que era a matéria onde eu tinha as notas mais altas e eu gostava um pouco. Mas logo mudei de ideia por que, na minha visão, todos que faziam biologia iriam virar professores automaticamente e além de eu não ser muito da minha natureza ensinar outras pessoas eu também não queria ter uma profissão onde eu tralhasse muito, ganhasse pouco e ainda fosse desrespeitada.

Então surgiu o segundo curso que considerei fazer seriamente: biotecnologia. Nessa época tinha acabado de ver um documentário sobre teias de aranha sintéticas e que profissionais da área de biotecnologia estavam envolvidos nesse projeto. Pensei na hora que aquilo deveria dar muito dinheiro e por um breve momento aquilo era o que eu queria para a minha vida. Mas, chegando no ensino médio eu descobri que não gostava tanto de biologia assim e mais uma vez fiquei sem rumo.

Ainda no ensino médio eu tinha um professor de química que fez com que eu considerasse apenas carreiras na área de exatas por dois motivos. O primeiro deles, como já falei a cima, foi que descobri que biologia não era a minha praia. O segundo motivo era que por toda a minha vida eu senti como se eu fosse um objeto de decoração da vida de outras pessoas. Que eu não era importante e nem especial. Então o discurso desse professor me afetou de uma maneira muito forte. Ele dizia que exatas não era para todo mundo e era por isso que quase ninguém se formava em exatas. Ele dizia também que humanas era muito fácil e era por isso que você saia da faculdade sem emprego. Eu, trouxa, cai no papo dele.

Eu queria ser especial, queria ter o valor que as pessoas nunca me dera na vida e se esse valor não seria por amor e nem carinho, iria ser pela profissão que eu tinha.

O meu critério passou a ser: tem física, matemática e química na grade do curso? É bom. Tem alguma matéria de humanas na grade? É medíocre de mais para mim. (Sim, eu tenho vontade de voltar no passado e dar uma surra no meu eu de dezesseis anos por pensar desse jeito).

Nesse período do ensino médio considerei fazer matemática, química e física. Todos esses cursos caíram no mesmo problema de biologia, eu não queria ser professora. Depois escolhi astronomia, por que todos consideravam muito difícil e eu gostava muito de ver “O Universo” no Discovery Channel. Depois eu vi que as possibilidades de ganhar muito dinheiro com isso era pequena e desisti de astronomia.

Pensei em fazer computação por que eu gostava muito de computadores e queria muito aprender a mexer nos programas como word, excel, photoshop e adobe premier. Só que depois eu comecei a ter uma noção do que computação realmente era e que estava completamente equivocada no que eu iria aprender. Além disso, descobri que mesmo sendo uma área que existam possibilidades de ganhar bastante dinheiro, em sua maioria o profissional era um pouco desvalorizado (depois descobri que não era só um pouco, era muito mesmo).

imagem que representa o que eu pensava sobre engenharia

Depois de tudo isso eu cheguei nas engenharias. Nunca soube muito bem que engenharia escolher. Cada dia eu falava que alguma delas me interessavam, mas existiam três que estavam no topo da minha lista. Engenharia elétrica, das engenharias era a que dava mais dinheiro. Engenharia mecânica, por que eu realmente gostava da parte de mecânica da física enquanto estava na escola. E por fim engenharia de produção por que eu tinha participado do programa mini empresa ano segundo ano, gostei e achava que tinha tudo a ver um com o outro.

Então meu terceiro ano chegou e acabou e no inicio do ano de 2013 eu descobri que não tinha passado para nenhum curso no sisu. Para não dizer que não passei em nada, tinha colocado o curso de farmácia em uma universidade que não era tão boa assim e falava que eu não fui por ter decidido tirar um ano de folga e tentar passar para engenharia na universidade que eu queria.

Em 2013 eu estudei bastante, e me diverti um pouco também. Além disso, era um tempo para pensar sobre o que realmente queria da minha vida, mas ainda não tinha maturidade o suficiente para negar pensamentos que outras pessoas tinham sobre mim e assumir o que eu realmente queria.

O ano de 2014 chegou e mais uma vez eu não consegui passar para o curso que eu queria na universidade que eu queria. Mas dessa vez cheguei perto. Ao invés de deixar o curso que eu queria no sisu como primeira e segunda opção eu coloquei um que eu havia considerado antes e que poderia migrar cortando matérias para engenharia no sisu do meio do ano. Esse curso era ciência da computação.

Passei na minha segunda opção no sisu logo na primeira chamada. Fui, com medo, mas fui. Uma semana depois de ter começado as aulas eu fui chamada pela lista de espera da minha primeira opção que era a universidade que eu queria, mas ainda era o curso de computação e não engenharia.

Meu plano era ficar lá só por um semestre e mudar de curso no sisu do meio do ano. Mas uma coisa aconteceu que me fez ficar no curso por três anos. O nome dessa coisa era movimento empresa júnior e eu já escrevi um texto sobre isso então não irei me alongar muito neste assunto.

Por causa da empresa júnior, da maturidade que adquiri nesse tempo que passou e por algumas pessoas que me ajudaram nesse caminho eu comecei a questionar tudo o que eu tinha feito até o momento.

Eu realmente queria aquilo que estava fazendo? Eu era apaixonada por aquilo? O prazer de estar ali era maior do que a dor das adversidades que eu encontrava? A respostas para todas aquelas perguntas era não. Eu não queria estar ali, eu gostava um pouco daquilo, mas não amava. Eu não queria sofrer tudo aquilo só para ter um trocado no final do mês no emprego que seguir aquele caminho iria me proporcionar.

Então o que eu fiz? Eu saí. Larguei tudo. E agora estou aos poucos tentando encontrar o meu rumo.