Do contemplamento à dúvida

O bombardeamento de informações atual atrelado à falta de pensamento crítico tem feito a “leitura construtiva” entre os mais novos cada vez mais ausente. A fonte disso, porém, não é a maior divulgação de filmes que de livros, nem a criação de livros pouco elaborados textualmente; é a falta de indução ao questionamento: a discussão.

O sistema educacional é baseado no repasse (e “decoreba”) das respostas até então obtidas sobre o funcionamento das coisas, o que gera pouco entendimento prático e também falta de interesse — e portanto mantêm nas mãos de poucos a possibilidade de engrandecer o conhecimento humano. Esta estrutura formal distancia da pergunta crucial: por que é preciso saber?

A imaginação é fértil enquanto crianças, e o que geralmente se pensa é que isso ocorre porque não estão imersas no sistema social, quando além disso, entretanto, uma razão é o contemplamento vívido: a admiração pela realidade. Nesta idade é eficiente que se explore a dúvida acerca de tudo para que compreendam o que vêem (e o que não), mas sobretudo que a ideia de obtenção de poder agregado ao conhecimento não seja ensinada como recompensa.

Aprender deve vir, antes, da questão: ela é o motivo de interesse e a razão pela qual se torna necessário saber. Ao contrário desse procedimento forçoso e desencorajador que é decorar, a discussão serve como indutor ao questionamento, pois, a partir do momento que se indaga algo, surge o pensamento crítico e a própria curiosidade, que é o “cerne da inteligência” — o que, por fim, resulta na pesquisa do estado da arte: na leitura.