Eu não me importo em estar perdida.

Eu não me importei em estar perdida na estação da Luz. Na verdade, pouco se prolongou a espera pelo trem enquanto eu observava com certa vivacidade toda aquela estrutura de tijolos cor vermelho terra. Eu procurei um tempo para ver o famoso relógio, mas era impossível lá de dentro. Mesmo assim, fiquei extremamente contente com aquelas vigas de metal que em meus pensamentos formam uma espécie de castelo antigo, me joguei para dentro de histórias que imaginei acontecerem ali há mais de 100 anos.

Das janelas curvas, que aos olhos de alguém que pouco entende — ou nada entende sobre arquitetura, me soam tão românticas, aos rostos de toda aquela multidão que não se importavam com nada que não fosse voltar rápido para casa. Tantos rostos e histórias das quais eu jamais saberia, jamais entenderia; olhares cansados de uma multidão pra lá de rotineira; corpos com almas e sem. Minha imaginação me levou para Londres, depois para Hogwarts e de novo a estação da Luz e tudo continuava muito lindo. Eu queria que os outros enxergassem tudo como eu via.

Veja bem, eu estava atrasada mas as luminárias — as luminárias de chão me colocaram num contexto histórico qualquer e então surgiria mais um conto que ninguém leria, ninguém entenderia. Me deixei ser transportada para uma praça por volta de 1800 onde tudo se fazia de concreto e verde, enquanto pessoas usavam roupas pesadas por cima de mais roupas de uma maneira muito esquisita. Cavalos para lá e para cá, e grandes fábricas por perto. E sempre muitas pessoas, muitas histórias.

De volta para a estação: talvez ninguém tivesse percebido meus devaneios, talvez eu quisesse que as pessoas percebessem. Eu queria compartilhar o que eu sinto quando ando pela rua de noite e como quando olho para a lua e me sinto confortável e como qualquer outros simples detalhes são de valores extremos pra mim. Eu queria encontrar essas pessoas dos olhos que brilham mais que o sol por entre as árvores, eu queria dizer-lhes que eu fortemente as admiro. Eu queria encontrar as pessoas que, assim como eu, o simples fato de perder-se na rua, vira uma aventura e aqueles que sorriem com os sorrisos perdidos na multidão.

Eu queria encontrar quem não se importa em estar perdido nesse universo, mas se importa e ama as gotas de chuva escorrendo pelo vidro e quem ainda imagina formas nas nuvens. Eu queria conhecer-te profundamente, você se importa? Com o que você se importa?

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