Agosto

Um das coisas mais bonitinhas e de dar dó em São Paulo, toda ela bonitinha e de dar dó, é a desconfiança dos seus habitantes, com toda razão, nessa oscilação que pode fazer chover, ventar, derrubar a temperatura e depois torrar todo mundo no mesmo espaço de 24 horas. Paulistano já é um serzinho desconfiado, mas é absolutamente adorável ver que depois de uma semana de friaca, um dia de 28 graus é recebido com moletom, cachecol e camadas de roupas, porque nunca se sabe, né. Quase no final do dia, finalmente convencido de que é isso mesmo, parece que vai fazer mesmo calor hoje a despeito de toda a coerência de um final de inverno, quando o paulistinha começa a desabotoar o casaco e mostrar as canelas, vem ela, a chuva de final de expediente, só pra fazer o metrô ficar desumano, só pra fazer o cínico moço de terno olhar pra rua molhada, fumar um último cigarro assoprando a fumaça na cara dos passantes e dizer: Viu, é isso aí mesmo. São Paulo não mudou nada, vai fazer frio até outubro, pelo menos.
E abotoa o sobretudo até o queixo, e dá-lhe cachecol e luvinha e uma blusa dormindo na mochila ao lado do guarda-chuva a semana inteira, porque mesmo que você avise, não tem quem faça ele acreditar que qualquer dia desses vai fazer sol a semana toda, pra sempre. Antes de outubro até, quem sabe.

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