É preciso voar.

Dizem por aí que o importante é ser livre. Livre para ir e vir, para fazer escolhas, construir a própria vida. Em geral, as pessoas se consideram livres. Mas não são.

Não como deve ser. Nem em toda a plenitude da palavra.

Liberdade é, entre várias definições, “o poder de ter autonomia e espontaneidade”. Diga-se de passagem que autonomia é mais fácil de encontrar — a sociedade estimula as pessoas a buscarem independência (independência financeira, por exemplo, é necessária para retroalimentar o sistema capitalista). Já espontaneidade, não. A sociedade não encoraja esse comportamento - olha só:

Você tem o direito de se expressar, mas só fala o que e quando é socialmente conveniente

Você tem o direito de ir e vir, mas deixa de ir em alguns lugares por conta do traje e demais imposições sociais.

Você tem o direito de sorrir, mas deixar de sorrir para estranhos, por receio do que eles vão pensar.

Você tem o direito de vestir o que quiser, mas nunca teve coragem de colocar aquela roupa fora de moda.

Você tem livre arbítrio, mas sempre acaba fazendo (apenas) escolhas que são amparadas socialmente. Pessoas espontâneas não. Elas não se importam. Simplesmente são. Simplesmente vão. Simplesmente falam. Elas são livres, leves e conseguem voar.

Não basta ter liberdade, é preciso ser livre de verdade. É preciso voar.

Só conseguimos voar quando deixamos as coisas pesadas e que nos prendem para trás. E depois de voar, de sentir a leveza de não ter amarras, de seguir contra ou a favor do vento,de seguir como quiser, aí sim, é difícil voltar para o chão. Para ser livre mesmo, é preciso ser leve, é preciso voar.

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