As Não-coisas dessa vida

As não-coisas. Coisas essas que não são pegáveis, são imensuráveis e invisíveis a olho nu. As não-coisas estão entre o momento e a experiência, entre a mente e o coração, e, quase sempre, são responsáveis pelos sorrisos mais puros e irreverentes.

As não-coisas fazem parte da vida, e muitas vezes ficam disfarçadas de coisas comuns e conseguem enganar as pessoas. A Felicidade é a não-coisa mais famosa que conheço e a mais brincalhona também. Ela vive se disfarçando de papel moeda, de artigos de luxo, e algumas vezes, até de futuro também (que é outra não-coisa). Ela prega cada peça, e adora brincar de esconde-esconde com as pessoas que ainda não entenderam as não-coisas. Para quem ainda não entendeu, acha que vai encontrar a bendita no meio dessas coisas tangíveis e previsíveis. E Ela rola de rir! Afinal, onde já se viu querer encontrar as não-coisas no meio de coisas tão…sólidas e materiais?

A felicidade, por exemplo, gosta de ser a não-coisa destaque, é independente, pra frente, não gosta de relógio e aparece quando bem entende. Na verdade, ela vem e fica, é companheira e carinhosa, mas pra quem confunde as coisas com as não-coisas, ela faz um pouco de birra. A mãe dela, a Plenitude, outra não-coisa bem conhecida, contou pra ela sobre as coisas da vida, que são materialistas e confundem a cabeça das pessoas. Desde então, a Felicidade brincalhona que é, aparece mais fácil pra quem já entendeu as não-coisas. E quando a Felicidade fica muito com alguém, vem a Dona Plenitude passar um tempo também. (Já me disseram que as duas são bem próximas, onde uma vai a outra vai atrás).

E sobre as coisas, aquelas que a gente consegue pegar com a mão, não é que as não-coisas as detestem , mas elas são muito soltas, leves e não se importam muito com tamanho, peso, números e essas coisas muito..coisas. A paz, aquela não-coisa serena, já me disse uma vez que adora uma rede, o mar e o sol. Coisas e não coisas convivendo em perfeita sintonia. (Tudo bem que o mar e o sol são coisas que sonham em ser não-coisas, mas ainda sim, a rede fica nesse meio sem reclamar).

Tem as não-coisas ruins também, tipo a raiva, a tristeza e ódio. Mas essas são tão pesadas que quase se tornam coisas. As não-coisas de raiz são mais leves que o vento e são impossíveis de pegar só com as mãos.

Quando a gente é pequeno algumas não-coisas são nomeadas de substantivos abstratos, de sentimentos, de momento. Mas depois, quando a gente para pra pensar, as não coisas são tão…fluidas, que coloca-las nessas caixinhas só confundem ainda mais. As não-coisas são não-coisas e pronto. São essenciais pra vida, fazem bem pra alma e estão misturadas e escondidas nesse mundão. Muita gente ainda não entende como funciona, e acabam querendo coisas demais sem desejar aquilo que realmente importa. É uma pena porque quando gente encontra as não-coisas elas ficam, e deixam as coisas a nossa volta tão pequenas que mesmo sem poder ver a gente consegue enxergar as benditas.

Que o nosso mundo tenha sempre mais não-coisas, e que as coisas a nossa volta sejam sempre menores e cada dia mais leves!

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