FAFICH: te escolhe, acolhe e encanta

Depois de um dia cansativo de trabalho e muitos ideias na cabeça fui olhar algumas pastas com fotos e me deparei com uma em especial que havia postado, há três anos, com a legenda mais ou menos assim: “ Tudo passa.. Mas as paredes da FAFICH, ah! essas não passam”.

Hoje, alguns anos depois, olhando para as fotos e revivendo as memórias daquelas paredes, posso reafirmar: elas não passam. Elas voltam, elas ficam, elas criam raízes no coração e até hoje, não conheci um ~Faficheiro~ sequer que discorde dessa afirmação. Sabe por que?

Porque a FAFICH te escolhe, te acolhe e te encanta.

As paredes cheias de verbo, de sentimentos e de cor ensinam tanto.

A entrada larga, longa e sem catraca quer dizer tanta coisa. As numerações invertidas, as salas escondidas e as cadeiras desordenadas.

Os corredores compartilhados com gatos, com intervenções, com fotos, retratos, chamados, protestos.

É tanto verbo de luta, de força, de empoderamento, de visibilidade para quem não têm fora dali e tanto espaço de diálogo e troca.

É tanta explosão de sinestesia que tudo o que se passa lá fica para sempre nas paredes. Que não passam, nunca.

Ser universitário já é uma experiência incrível. Mas estudar na FAFICH não tem igual. Mais do que os saberes tradicionais (questionados e virados de cabeça para baixo), tudo ali tem um quê de transformação que reverbera para o mundo lá(aqui?)fora. Por isso, criaram o estigma do faficheiro. Que aliás, cá pra nós, é muito engraçado já que é um grupo tão diverso, mas ao mesmo tempo tão em sintonia.

Sintonia da experiência de compartilhar, questionar, lutar e se encantar com o mundo. Sintonia com a diversidade e com o que vai além da sala. Sala que se faz no hall, nos corredores, na grama, no milharal. Sala que se faz com as festas. Sala que se desconstrói e se reinventa.

Reinventar. Acho que é isso. Lá, as pessoas se reinventam. Por isso aquelas paredes são tão importantes e não devem passar. E depois de ver essas fotos, e reviver tantas lembranças, só me resta saudade (e se você é faficheiro, aposto que também vai ficar).

Uma lembrança de uma aula como outra qualquer.