Tudo azul da cor da tela

Gabriel Nunes
Aug 9, 2017 · 1 min read

Noite dessas liguei a televisão, mas não dei play em nada. Fiquei ali confortavelmente absorto, coçando o lábio inferior, encarando a tela que não se movia. Toda azul. Ando pensando em por que estou sempre mergulhado em alguma frustração. Quando você está sempre disposto a alguma coisa, sempre projetando e arriscando grandes novidades, é comum falhar. Digo mais, é recorrente, quase nada dá certo. E a insatisfação acaba virando uma companheira frígida e boquirrota. Já li todas as frases do Einstein que encontrei na internet e de nada me serviu. Todo dia de manhã eu bebo café ouvindo “Walk” bem alto, e reforço pro espelho embaçado que é assim mesmo. Uma amiga um dia me disse “Não te preocupa, tudo que você faz dá certo” e eu me abracei a isso. Só que hoje eu vejo, meu maior erro estratégico foi um dia ter acreditado que eu era muito foda e genial. Talvez eu queira demais, estou exausto de querer coisas. Eu deveria ficar mais tempo parado na frente da tevê, enxergando como tudo pode ser mais ao vivo e a cores. Só preciso me convencer de que fazer nada também é fazer alguma coisa.

Ouça junto: “Walk”, do Foo Fighters.

    Gabriel Nunes

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    Ex-critor.