Gabriela
Gabriela
Sep 9, 2018 · 2 min read

Aquele que importa

(texto para pessoas que não gostam tanto de redes sociais)

Em tempos de WhatsApp, Instagram e de (talvez um pouco já falecido) Facebook, a conexão entre as pessoas chegou a um novo patamar.

Que atire a primeira pedra aquele que nunca entrou no caos do Tinder. Arrumar alguém em potencial tem sido cada vez uma tarefa mais difícil. Depois de três horas do match, já tem que ter passado o telefone, se não aquilo nunca vai sair do celular para a vida real. (Vida real?)

Mas, e depois de já ter criado laços íntimos e de ter ido para a “vida real”? Como as relações continuam a sua construção?

Um “visualizado e não respondido” é motivo para uma briga de uma semana. Imagina só, alguém demorar tanto assim para responder?! Só pode ter perdido o interesse. O que será que eu fiz de errado? Como não cometer o mesmo erro da próxima vez?

No meu caso, eu namoro um cara que odeia redes sociais. Ele mal usa o WhatsApp, não tem Facebook nem Instagram, e conviver com essa realidade que apareceu para mim, é uma tarefa não muito fácil às vezes.

Antigamente com os “contatinhos”, era sempre, pelo menos, um 'bom dia' e 'boa noite’. Mas, então, como assim com o MEU namorado não tem nada disso? Como assim não posso ter uma vida de relacionamento dentro do meu celular?

Não temos fotos em redes sociais, não temos o famigerado “em um relacionamento sério”, e muito menos posso contar com o “bom dia” e “boa noite” todos os dias.

Inicialmente, alguém da minha idade pensaria que isso está errado, que deveria ser mudado. Como assim, um casal não conversar todos os dias o dia inteiro? Internet serve para quê, então?

Até que a gente se atenta ao que antigamente valia: a presença pessoal. Aquilo de se ver, sabe? De segurar as mãos e dormir de conchinha depois do sexo.

Não quero ser a chata que critica a tecnologia, muito pelo contrário, sem ela este texto sequer existiria. Mas eu quero me atentar a algo fundamental: o quanto as redes sociais prejudicam os relacionamentos?

Com o meu namorado aprendi que muitas brigas são criadas por não sabermos a entonação exata do outro atrás da tela. Aprendi que nem todo mundo vai estar afim de um “bom dia” e “boa noite” diariamente (muitas vezes até mecânico). E aprendi que amor, carinho, afeto e atenção vão além de juras de amor às vistas de todos que te seguem e dão um like.

Eu me lembro sempre da minha antiga colega de quarto, que se mantia em um relacionamento tóxico, mas que no Instagram era tão perfeito, com viagens, jantares e presentes.

Não significa que um relacionamento que se abstenha de redes sociais seja o ideal ou o mais perfeito.

Só significa que não precisamos de redes sociais para amar e ser amado. Nós podemos eternizar os momentos felizes sem um story ou status. Pode acreditar. É algo surreal, mas é verdade.

O importante é fazer o que deixa você e seu parceiro felizinhos e satisfeitos.

Gabriela

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Uns trenzinho nada a ver, mas fazem mó sentido

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