A montanha russa de ser diagnosticado com transtorno de borderline

Você leu certo. Transtorno. Desses de personalidade que não tem cura, só tratamento que dura talvez uma vida toda. E sim, fui diagnosticado e agora devidamente medicado e talvez com certa propriedade para falar sobre.
O borderline é um transtorno comparado à uma “panela de pressão emocional”. Você nunca sabe o que esperar da pessoa com tal transtorno. Mas sempre tudo está tenso, tudo é ao extremo, tudo é em níveis altíssimos: frustrações, amores, alegrias, raivas e o vazio dentro do peito.
A gente vai ao nosso limite para ver se algo lá dentro brilha de novo, fica às vezes atingindo nossa pele para poder sentir de novo , pois é melhor sentir dor do que não sentir nada. A gente não quer se magoar, mas magoa quem a gente ama só para ver até onde ele ou ela vai, até que ponto ele desiste e vai embora igual todo mundo já fez e quando vai (se vai) a gente se culpa ao extremo por ter estragado tudo mais uma vez.
Nosso peito queima quando vemos nossos sonhos serem desfeitos sendo que nem acreditávamos neles tanto assim para começar, pois afinal, nada é muito colorido a ponto de ser levado a sério. Nem nossos sonhos, nem nós mesmos.
Então vamos até o topo e nos jogamos querendo chegar ao chão e fazer tudo passar, mas também com uma pontinha de vontade de que alguém nos pegue lá embaixo e nos coloque debaixo da asa e proteja de todo o mal e nos deixe descansar, nos deixe com o peito vazio e cansaço por tentar enchê-lo de novo.
Todos esses sentimentos. Todos os dias de uma vida.
Você deve se perguntar como eu vivo com tudo isso dentro da minha cabeça e também como é possível que fale tão bem e claro sobre o assunto. A questão é que, para mim, saber do meu diagnostico me libertou em maneiras que eu queria desde os meus 14 anos. Entender o porquê daquela dor que nem o maior amor do mundo conseguia fazer passar completamente, olhar na cara do meu bicho papão e saber como mandá-lo embora, é a maior força que alguém poderia me dar. E foi isso que o meu psiquiatra me deu há 2 meses. Força para ver que aquela dor poderia ser contida, que eu poderia voltar a sorrir para a vida e poderia voltar a sentir sem precisar doer.
Há, claro, os dias que a panela de pressão explode e me vejo no alto do prédio de novo pronto para pular, mas agora eu sei que não preciso pular para sentir, não preciso me jogar para que algo valha a pena. Eu valho a pena.
E eu sigo, enchendo meu peito com coisas boas de se sentir, colocando cores pouco a pouco no que a vida deixou cinza e entendendo que eu não preciso aceitar que não está tudo bem. Há sempre uma saída para a liberdade.
