Eu mudei com aquela cerveja

Eu sinto falta do jeito que ia dormir sorrindo quando você estava aqui. Da certeza e segurança que você me passou por certo tempo. Daquele sentimento de pra sempre que eu tentava ignorar para não me decepcionar caso não fosse. Sinto saudades dos seus olhos ficando apertadinhos quando você sorria e da sua mania de evitar ficar debaixo de uma luz muito dura.

Até algumas músicas eu me lembro de dividir o fone com você para escutar, isso me faz falta também. E sinto saudades de como pareceu infinito mesmo tendo uma duração que até pareceu pré-determinada.

Ter você assim tão perto me fez florescer, me fez conhecer algumas camadas e valores da minha personalidade que eu desconhecia. Mas te ter longe me fez crescer, a dor da sua distância me deixou forte e hoje eu sinto muita saudade de você, mas não dói e não, não quero que você volte. Prefiro guardar essas lembranças num cantinho do coração em que tudo permanece tão mágico como da primeira vez. É o cantinho que sempre volto quando o mundo lá fora fica muito assustador ou quando eu preciso sorrir um pouco.

Você talvez odeie estar nas minhas páginas ou estar nesse cantinho do meu coração. Talvez você odeie que eu esteja te fazendo eterno, porque nem em eternidade você gosta de pensar, mas, sinto muito, você é. Entrou na minha vida, atingiu em cheio meu coração e mudou os meus dias, você se tornou eterno em mim, mesmo que como dor ou saudade, é eterno.

Não, eu não quero que você volte. Aquelas duas pessoas que se despediram na mesa de bar com uma cerveja entre elas não existem mais. Elas sumiram no mesmo instante que o garçom trouxe a conta. Sinto falta de cerveja, não da conta.