O adeus que eu não pude lhe dar

Ah, e como dói carregar isso comigo. Eu lembro que tu não me deixava sair pra escola sem antes me dar um abraço. Quando eu ia na casa de um amigo, era a mesma coisa, seguido de um “te comporta ou eu te busco pelas orelhas guri”. Até mesmo pra ir no mercado da esquina tu me cobrava um beijo. E eu nunca neguei, nem jamais negaria algo pra ti.

Tu foste muito além de uma avó. Foi uma mãe. Naqueles tempos em que eu era uma criança e meus pais trabalhavam o dia inteiro e não tinham tempo pra mim, tu sempre esteve la pra me cuidar. Faltava tudo, menos o teu carinho.

E, veja só, tu que não me deixava sair na rua sem me despedir de ti, foi embora sem nem avisar. Simplesmente foi. E nunca mais voltou. E eu nunca pude te dar tchau. E eu nunca vou poder te dar tchau. E essa saudade, esse aperto no peito, o desastre que se tornou minha vida desde a tua saída, essas são as marcas que ficaram de uma despedida incompleta.

E por falar na minha vida, ela se foi junto com a tua. Não de maneira física, eu fiquei aqui, mas tu levou os motivos que eu tinha pra viver. Eu até mesmo já tentei dar fim nisso tudo só na esperança de te reencontrar e poder descansar em ti outra vez. Mas nada da certo.

Já são sete anos com o nosso adeus preso na minha garganta. E o que fazer com a tristeza que da ao lembrar que aquele dia era pra ser totalmente diferente? A gente não se via há meses, você entrou naquele carro só pra vir pra minha casa, matar a saudade de mim. Mas entre a gente havia um pneu furado, um carro descontrolado, duas arvores e aquela ambulância que, segundo o medico, se tivesse chegado dez minutos antes teria te salvado. Mas ela não chegou dez minutos antes.

Você se foi e por mais que hoje em dia eu tenha novos motivos pra seguir em frente, eu sigo preso em ti, no nosso passado, em tudo aquilo que a gente não viveu juntos e em toda essa saudade que me esmaga agosto pós agosto.

Tem que considere fraqueza, loucura ou até mesmo bobagem minha. Eu considero cansaço. Um cansaço daqueles que só tu sabia tirar de mim. E agora, onde tu ta pra fazer isso?

O que me consola é saber que, mesmo sem o adeus, eu tive tempo de te agradecer. E fiz isso muitas vezes. Você foi, sem a mínima dúvida, a pessoa mais pura que eu conheci. Nunca vi alguém com um coração tão grande, com um sorriso tão lindo e com um jeito de ser e viver tão acolhedor. E eu acho que é isso que me dói: você era a pessoa mais perfeita que eu poderia ter por perto, e isso me foi roubado.

Sete anos é tempo suficiente pra muita coisa, mas não o bastante pra superar a tua ida. 29 de agosto, o dia que eu não aprendi a viver.

Essa imagem foi tudo que sobrou de uma história com o final errado
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