O ano da Cerveja Regional

Dois mil e quinze já entrou para a história cervejeira da capital do Mato Grosso encerrando uma lacuna que talvez perdurasse desde o fechamento da fabricante da Cerveja Rosa.

Por muitos anos, das torneiras de chope e das garrafas (por sorte, na maioria das vezes “trincando”), só vertia o liquido descaracterizado fabricado pelas grandes indústrias. Desse tempo destaco as ações do Azeitona, proprietário do Di Parma, que sempre trouxe algumas opções, mesmo quando essas eram poucas até nos grandes centros do país.

Mas a mudança de panorama mudou mesmo com o árduo trabalho de duas pessoas, Elvio Resende da Serra Grande e Rogério Sanches da Única Bebidas, que começaram a espalhar a cultura da cerveja pela capital e interior.

Entretanto, faltava algo, faltavam cervejarias para chamar de nossas. Tudo isso começou a mudar desde o ano passado, mas a consolidação só aconteceu neste dois mil e quinze.

Por isso, essas linhas contarão um pouco sobre as cervejarias mato-grossenses e seus feitos:

A revolução começou em um local a primeira vista improvável, além das cercanias da capital, mas em uma região com alto dinamismo no agronegócio, a cidade de Nova Mutum.

A Kessbier é a microcervejaria pioneira em Mato Grosso, com instalação no ano de 2013 e hoje já se mostra consolidada.

Tal consolidação é comprovada por várias medalhas recebidas no Festival Brasileiro de Cerveja, que aconteceu em Blumenau e na South Beer Cup, que esse ano foi sediada em Mar del Plata, Argentina.

Além da ótima American Pale Ale, a Kess aumenta a cada dia seu portfólio de estilos, que vão de uma IPA com influências da tradição germânica a uma Belgian Strong Golden Ale com adição de manga. Meu untappd agradece.

Para saber mais: http://www.kessbier.com.br/

Baseada na cidade de Tangará da Serra, a Dark Side tem como seu carro chefe uma Russian Imperial Stout, além de uma cerveja de trigo e uma red ale da tradição irlandesa.

As garrafas começaram a ser distribuídas na virada do ano.

Inovaram ao serem destaque no clube de assinatura Hop Hunters, o que proporcionou distribuição de suas cervejas para vários cantos do Brasil.

Mas o grande destaque da cervejaria tangaraense, na minha opinião, foi ter feito uma versão de sua Dark Side 3 envelhecida em barril de amburana, um tipo de madeira que confere nuances muito interessantes ao aroma e ao sabor da cerveja.

Para saber mais: https://www.facebook.com/darksidebrewery

O rótulo que mais tem identidade cuiabana é produzido na cidade de Ribeirão Preto, na fabrica da Cervejaria Invicta.

Não se engane, isso não é um fato desabonador. Temos que admirar a iniciativa dos cervejeiros da Benedita, que encontraram uma maneira de viabilizar o seu sonho.

Trata-se de uma American Stout com adição do doce Furrundu e que chegou logo no comecinho do ano com um bom trabalho de divulgação e forte identificação com o publico cuiabano.

O resultado do trabalho bem feito é que o primeiro lote, cuja expectativa de disponibilidade era até o fim do ano, não durou três meses. Recentemente, o terceiro lote da Benedita chegou à Cuiabá.

Outra prova de sucesso e qualidade foi a medalha que a cerveja recebeu no Festival Brasileiro da Cerveja de Blumenau.

Para saber mais: https://www.facebook.com/cervejabenedita/

Enfim, a Louvada, a primeira microcervejaria com planta em Cuiabá, recém inaugurada e que já oferece três estilos: Pilsen, Weizen e American Pale Ale.

Trata-se da realização de um sonho para todos aqueles que acompanham a evolução da cena cervejeira da cidade.

A cervejaria já começou com uma estratégia de distribuição ampla na capital, com garrafas e barris de chope em alguns restaurantes e eventos particulares.

Apesar de não ter (ainda) um tasting room, a Louvada já realizou eventos e acena como um possível ponto de parada dos food trucks que invadirão a cidade no ano que vem.

Mas isso é tema para um outro texto.

Para saber mais: https://www.facebook.com/cervejarialouvada/