Babel é um ônibus lotado com pessoas falando no celular

- Oi… tudo bem?

A educação é um problema geral nessa nação bilíngue em que as pessoas falam pelo menos o português e muita merda. Claro que algumas também são fluentes em palavrão. Não é o meu caso, admito que não sou muito boa com xingamentos e coisas do tipo. Minha área é mais para a ironia e o cinismo mesmo. Não. A verdade é que tendo a ser boazinha.

Mas o problema da educação é que, ao contrário do que a maioria tende a acreditar, ela não é formal. Livros e normas não serão suficientes. Professores? Precisamos e muito, mas eles não podem ser responsabilizados por tudo. Até porque para quem eles vão conseguir ensinar se as crianças já chegam deseducadas de casa? Os ouvidos já chegam tampados na escola.

A torre de babel miniatura

O transporte público é essa maravilha da engenharia humana, esse microcosmo das realidades numa caixa com rodinhas. Um laboratório antropológico. Junte pessoas de origens diferentes e seus celulares. Todas falando ao mesmo tempo, no mesmo espaço. Agora vamos amenizar a generalização: nem todos gritam ou falam alto ao celular, mas em um dia espetacular cada um dos passageiros parece competir com seu próprio dialeto.

Dilemas de pregador sobre como levar a palavra para a comunidade enquanto seu pastor não concorda com suas teorias. Mas ele também não concorda o sujeito e o predicado. Dilemas. Também há o caso de injustiças e fofocas do trabalho, cobra comendo cobra. E a mocinha que mal pode esperar para falar da outra mocinha que falou da outra mocinha para a outra mocinha. Que coisa feia mocinhas?

Como eu sei o que cada um estava falando? Todos falavam muito alto! Ou seja, não é só o volume da música que precisa abaixar.

Sim, confesso. Algumas histórias bem são interessantes e eu até fico curiosa e querendo saber o final. Eu pratico esse esporte. Mas via de regra, ninguém quer saber da sua vida. Fale baixo ao celular quando estiver dividindo um espaço físico com pessoas desconhecidas.

Pelo menos finja que é educado.
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.