14 de dezembro

Quem diria, é ironia do destino, depois de três anos dois jovens caminham juntos pelo centro da cidade, uma cidade que dizem que não tem amor, caminham de mãos dadas e sorrisos dados, vão em direção a Roosevelt, sentam numa mureta e ficam ali, trocando olhares e jogando conversa fora. Ele acende um cigarro, e consequentemente acende uma chama de querer entre os dois. Eles se aproximam, sem dizer uma palavra se quer, e deste ato saí o assunto mais sincero da tarde, os lábios se encontram, e eles começam a se acariciar, e a partir deste momento foi possível perceber o quanto eles se desejavam, os risos entre os beijos mostravam o quão divertido era estar ali, pertencendo um ao outro.

Quem os via pensava: — Que falta de respeito, eles não deveriam estar em plena praça pública se pegando desse jeito. Mas para ambos não era apenas ‘’pegação’’, era saudade de algo que nunca tiveram. O garoto não era de cumprir regras, não estava nem aí pros tabus, e a garota estava tão envolvida com ele que não ligou pra nada, só queria continuar pertencendo a ele.

Os lábios se tocavam, e no mesmo compasso vinham o toque das mãos que acariciavam a pele e passavam por todo o corpo. O som da respiração a cada instante ficava mais ofegante, e mesmo com os corpos tão juntos, tão chegados, tão rentes, não era o suficiente, eles queriam mais, cada vez mais perto, mais contíguo, eles queriam mergulhar um no outro, se afogar. Queriam entrar um no outro e fazer morada.

Os beijos faziam carícia, os dois estavam tão conectados que aquele momento era infinito, eles eram infinitos. No encaixe do beijo, as línguas faziam movimentos únicos, ele sugava os lábios dela, e ela mordia os dele, era uma sintonia mais que perfeita.

Os olhos castanhos do garoto se encontraram com os olhos negros da garota, e daí surgiu um riso silencioso que dizia: -Como é bom te ter aqui!

Eles queriam ter todo tempo do mundo pra ficar daquele jeitinho, observando um belo grafite e o céu nublado, viver aquele momento era intenso. Ele passou sua boca no pescoço dela, e depois subiu. Aquele era o melhor lugar.

A garota nunca tinha se conectado daquela forma com alguém, o modo como ele a olhava dizia tantas coisas, mas ao mesmo tempo, era misterioso. Só passava pela cabeça dela que ele também a desejava. Eles estavam conectados de corpo, alma e espirito. Ele disse que tinha que ir, ambos sabiam que se passassem mais algum tempo juntos o desejo só ia aumentar e não iriam conseguir sair dali nunca.

Para o desfecho, nem é necessário dizer que eles criaram um vínculo, que para ela, ele foi a aventura mais sincera e que não via a hora de revê-lo. Ele disse: — Quando sentir saudade é só chamar. Contudo, ela não queria sair do afago dele, e então eles deram o último beijo, não o último, mas sim o último daquele dia. Como se fosse um ‘’até logo’’, pois eles sentiam que tinham mais coisas pra viver juntos, e que se reencontrariam logo, pois já sentiam falta um do outro.

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