numa certa manhã acordei com saudades intranquilas.
seus olhos eram 2 tiros saltados em minha direção.
ali onde nasce o Sol e onde a terra e o céu se encontram o Orún (céu) e o Aiyé (terra) se unem em ikorita meta a encruzilhada em que se encontram céu e terra - e seria ali que o espírito faria os acordos que determinariam seu destino quando encarnados. 
você é mais caranguejeira do que eu você me disse o já sabido quando te respondi você é mais centauro ainda. 
e foi por medo de apagar teu fogo que eu fui - me embora. água se adapta mas sem oxigênio você sobreviveria? 
somos um encontro jupiteriano eu te falei e você disse escreve isso eu flutuo mas pairo e adoro pairar mais que flutuar. temos também configurado um duelo de Lua e Vênus. 
sinto que é a última vez que consigo colar essa merda de coração mas é cruel contigo também não entenderem que você quer se isolar às vezes é horrível você disse me manifesto de outras formas mas amo e tenho prazer. 
qual fenômeno entre água e ar somos nós? 
você tem jeito de pantera arisca fera ferida.
e me disse é bom ter saudade 'ai quem me dera meu bem quem me dera o dia de ter você na Bahia o mar e o amor feliz adeus meu bem eu não vou mais voltar se Deus quiser vou mandar te buscar na lua cheia quando é tão branca a areia vou mandar te buscar.' 
te respondi que todo canto é igual a água bate o vento sopra o fogo do sol o sal do senhor 'tudo isso vem tudo isso vai pro mesmo lugar de onde tudo sai' 
você disse dança comigo a canção do Gil fala pra ela que as coisas mudam e antes de começar qualquer discurso se conecte com a região do umbigo e fale como se sua cabeça estivesse ali no estômago. é o famoso tan tien que eu não conheço mas não importa já que somos canalhas e farsantes absorvendo todas as centelhas. meu exoesqueleto é formado pela própria carne viva depois que a carapaça já não serve mas enquanto a nova casca não cresce estamos vulneráveis. não sei qual é o antônimo de predador mas é assim que ficamos nesse momento shhh é um segredo. 
seu cabelo é esquizofrenicamente parecido com o do Caetano. canta pra mim? 
como essa sensação de que se perde já que nunca se possui ninguém? não se apegue ao teu desapego te digo agora. 
entorpecida pela posse de um peito aberto e uma carne viva subi penhascos a espera da água que tanto bate até que fura aquelas rochas inebriadas do suor que é teu sal ausente. uma embarcação que me carregue além mar dessa orfandade que é ainda assim nosso pertencimento. me ensina a flutuar bem leve? 
é a estação da cheia dos rios somos como a pororoca. é hoje que o Sol cruza a elíptica no trópico e aqui no Sul chega o inverno. 
ter o mesmo sangue raiz coloca uma concha no ouvido pra ouvir nosso maldito fado ao fundo. limpem todas as águas do mundo. 
caranguejo nasce pelado vermelho vivo
bem silencioso no meio do mangue e como fase de Lua cresce até não caber mais no próprio casco concha escudo. 
Pindara. foda-se o oráculo. foda-se o prenúncio. de toda forma a força da natureza tem ciência estética humana?
ambiente úmido e lodoso as armaduras construídas sufocam. 
como no trabalho de parto a gente se livra da casca dura e recomeça a volta pra casa. teu corpo vai ser minha morada de tempos em tempos oscila entre a carne do vermelho vivo e o branco do exoesqueleto pálido encharcado de memória que alimenta os nossos. 
Câncer é caranguejo em latim signo que oferece morada a Lua luminar que governa as águas do mundo. Lua que dita o ritmo da maré águas que mudam conforme.
caranguejar passos de dança para o lado. é da nossa natureza o recuo. você é como um felino lunar pantera. 
crustáceo que pinça e nunca desagarra
você é mais caranguejeira do que eu você disse e estava certo.

https://youtu.be/xTs9pNfLnI4

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Alquimia Terraquea - diários clandestinos’s story.