para Fiona Apple por Shadowboxer e Marçal
grave é o problema das saboneteiras
memorando: não esqueça da literatura.
presto muita atenção ao que meu irmão ouve ou deveria prestar. Vinícius insistiu veementemente para que eu lesse o livro. possível que tenha a ver com o fato de que a mulher previa o futuro nas estrelas
e que logo na primeira página Cauby avisasse o amor é sexualmente transmissível.
'às vezes, como num sonho, vejo o dia da minha morte. é uma coisa meio espírita, um flash. e, embora a mulher não apareça, sei que é por causa dela que estão me matando. e tenho tempo de saber que não me deixaria infeliz o desfecho de nossa história. terá valido a pena.'
a semelhança com Lavínia é notável
o olhar e silêncio preto
o medo de quem se aproxima
rosto longo e anguloso
o desconhecimento do pai
e principalmente
a ciclo - rítmica do desejo.
trata-se de abrir um hiato no tecido do tempo
uma suspensão da urgência
entregar - se a paixão e ao jogo com a antevisão do azar e fracasso
é bem parecido com viver
não tem importância nenhuma
acaba rapidinho mas nos cristais do tempo
o banal torna-se épico
ler não traz nenhum conhecimento
'não tenho uma palavra a dizer. por que não me calo então? mas se eu
não forçar a palavra a mudez me engolfará para sempre em ondas. a palavra e a
forma serão a tábua onde boiarei sobre vagalhões de mudez.'
fagulhas e choques elétricos alguns amantes além das afinidades de corpo criam sintonia intelectual
espaços particulares de comunicação intimidade psíquica
imersos na ilha do outro ficamos cegos a luz que irradia e ofusca o entorno e doravante o amor desperta inveja
o bafo da selva que não deixei que pressentisse alegria malsã a chuva marcada pelo curare sine qua non
uma cantiga não inventada pelos homens
a mujeres como yo no las conoces; las contraes
o encontro pela foto ou pelos livros que ela amou mais que pessoas
a língua da experiência sensível
as fezes da alma e no meio disso filósofa vagabunda que se prostitui com poesia
exposto a essa incandescência a começar pelo nome tornei-o raro entre os demais
escrevo a um panegírico. estertorei.
-bofeteia a minha cara
'jamais ouvi de seus lindos lábios a sentença que proferi tantas vezes.'
7 dias
saiba que não me saciaria
esquecimento
-não
-me pede pra ficar - blefei
'chorou como se quisesse esgotar todas as lágrimas da encarnação.'
era uma crise brava mulher que caía no choro cada vez que ganhava um
presente besta fera
3 vezes o arcano xii
aqueles olhos escuros o maior dos meus precipícios uma dessas ciganas pedintes que esbarram na gente
-se você me pedisse pra ficar... .minto de joelhos
uma cigana que você não hesitaria em levar para casa
medo e abandono admiração que rui
nada disse 'a desgraça de Deus é não poder esquecer nada.' todos os destinos
fartos de ser quem éramos ficariam comigo tua nobreza e cólera.
não suponham precipitadamente que a entrega do desfalecimento sob o signo trágico retira em algo a potência deste livro.
clichê nenhum é óbvio nos grandes desastres nem nas histórias de amor
contraí o vírus de sua loucura
ignis mutant res
no detalhe mora a alma de toda fantasia
ainda temos agora agora agora Macarya também me alertou: não prenuncie
e é preciso como diz o professor Schianberg o mais obscuro dos filósofos do amor que não seja diferente
queremos o que não podemos ter
sempre intui que precisássemos de abismos
'uma felicidade sem futuro, como qualquer felicidade que se preze.
a esperança é o pior do venenos você não acha?’
que nome você dava ao amor?
agora inscrita em mim a cindida Lavínia(s) já que sob categoria mulheres artefato- corpos da guerrilha simbólica as diversas tornam-se Gabriela
Pindara
Stela?
não sei qual está presente
detesto falar pela manhã

quem é.
diga - me por que inventamos histórias?
