Saudável ao extremo

Quando o cuidado com a alimentação e o corpo se transformam em doença

or·to·re·xi·a |cs|
(orto- + grego óreksis, -eos, apetência, vontade, desejo + -ia)

substantivo feminino

[Psicopatologia] Distúrbio psicológico que se manifesta pela preocupação obsessiva com uma alimentação saudável.

Nos últimos anos, os transtornos alimentares passaram a ser cada vez mais comuns. Aproximadamente 90% dos casos são de mulheres jovens, porém estatísticas mostram que está havendo um aumento no número de transtornos em homens e em adultos de ambos os sexos. Conhecido também como disfunção alimentar, o termo é utilizado para designar qualquer padrão de comportamento alimentar que cause prejuízo à saúde de alguém.

Quando se fala em transtorno alimentar, é comum lembrarmos de termos como anorexia e bulimia, que na década passada foram muito discutidos em livros, filmes e telenovelas. Ambas estão relacionadas à noção de magreza como forma desejável. Esses transtornos atingem entre 1 e 4% da população mundial e seguem aumentando significativamente nos últimos anos.

A anorexia foi diagnosticada pela primeira vez na França em 1874 mas permaneceu obscura até os últimos 50 anos. De acordo com o sociólogo Anthony Giddens, à medida que as imagens ocidentais de beleza feminina se espalharam para o restante do mundo, vieram à tona as doenças associadas a elas. A obsessão pela magreza — e os transtornos da alimentação resultantes — que antes se limitavam às mulheres da Europa e dos Estados Unidos agora tomam conta de diversas culturas.

Ortorexia

Apesar de ter sido identificada ainda nos anos 90, foi só recentemente que a ortorexia, transtorno caracterizado pela preocupação excessiva com uma alimentação saudável, se tornou mais conhecida.

Em grego, Orto significa correção e orexia quer dizer alimentar, formando o termo ortorexia, que significa algo como correção da alimentação. O termo foi utilizado pela primeira vez pelo médico americano Steven Bratman, que em 1997 descreveu o distúrbio em seu livro Health Food Junkies (“viciados em comida saudável”).

Ao contrário do que ocorre na anorexia ou na bulimia, a pessoa ortoréxica se permite comer, mas fica tão obcecada em seguir uma dieta saudável que acaba deixando de lado alimentos que contêm nutrientes fundamentais para o organismo. Assim, alguém que tem ortorexia pode deixar de comer gordura radicalmente por acreditar que é saudável, sem atentar para o fato de que com isso pode sofrer de carência de vitaminas lipossolúveis e disfunção hormonal.

Os conceitos usados pelos ortoréxicos costumam ser baseados em informações verdadeiras. O problema é que acabam aplicando o conhecimento de forma extremada — quando estão fora de casa, por exemplo, muitos preferem ficar em jejum a ingerir algum alimento considerado impuro.

Blogs e musas fitness: as redes sociais incentivando os transtornos

Instagram, Pinterest e Facebook. Hoje as redes sociais fazem parte do dia a dia,principalmente da geração de nativos digitais. Nunca a imagem teve tanto poder. O culto ao corpo também entra nessa onda, com a disseminação de modelos idealizados de corporiedade. Ser magro, torneado e esbelto é o padrão estabelecido.

Nos anos 80, as musas fitness eram ex-modelos que vendiam fitas VHS com cursos e exercícios milagrosos em busca do corpo perfeito. No século 21, elas tomam conta das redes sociais com tutoriais, dicas de exercícios e prato do dia. Cada uma tem sua fórmula mágica para a conquista do corpo perfeito.

As fotos abaixo mostram algumas postagens de blogueiras famosas, como a Mimis e a Gabriela Pugliesi.

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