Show Yourself

Uma das coisas mais difíceis do trabalho criativo, particularmente, é como mostrá-lo. Quando comecei a tatuar, fotografava com uma câmera digital singela no fundo vermelho da parede do meu quarto com a luminária estourada e o resultado quase sempre era um registro medíocre de uma tatuagem pior ainda. Armazenava por números desde a primeira tatuagem feita. Consegui manter certa ordem até o trigésimo e tanto, e algumas delas eram publicadas na minha página pessoal do facebook ou Flickr para arrecadar novas cobaias.

Depois disso começaram as crises do “Não é bom o suficiente” (mal sabia que ela permaneceria para sempre, mas até pouco tempo ainda a administrava muito mal). Comecei a trabalhar de um jeito meio torto em um estúdio comercial mas não registrava nada do que fazia. Enfiei na minha cabeça que não publicaria nada enquanto não estivesse “suficientemente bom”.

Veja bem, há uns sete anos começava a fervilhar as ondas de mídias sociais pós-orkut, veio facebook, twitter, instagram… Todos permitiam um alcance muito maior e de brinde veio o maldito botão de “curtir”. Seja em forma de polegar para cima ou coração, qualquer coisa que você expusesse dava direito à reação/validação imediata.

Na época eu frequentava um estúdio de tatuagem por intermédio do meu até-então-não-assumido mentor, onde convivi com os brucutus mais escolados em bullying-quase-assédio-moral que alguém pode conhecer. Lá me introduziram ao que existe de pior na tatuagem pelas internets, de magos a bmx, vídeos bizarros eram rotina. Um esporte favorito era falar mal dos outros, até aí, todos nós conseguimos nos relacionar um pouco não é mesmo? Um dia me mostraram o trabalho de um tatuador terrível (estamos falando de atropelamento de mamilo e não conseguir distinguir tatuagem de lesão corporal) o passatempo da vez era ler os comentários de elogio em voz alta e contar o número de likes.

Aquilo me ensinou uma lição importantíssima: Tem gosto para tudo, tem público para tudo. Mas se eu almejava estar entre os grandes (entenda como: artistas que admiro ou quem eu quero ser quando crescer), a curadoria do meu trabalho teria que ser meticulosa, calculada. Minha fala teria que ser bem direcionada a todo momento e aí, veio o parafuso de ter que aprender a mostrar meu trabalho sem me deixar levar por chuva de likes ou número de seguidores, pois não era aquilo que me legitimaria.

Criei um site, instagram, página do facebook, snapchat, já testei algumas ferramentas que funcionam e outras que nem tanto, já mostrei meu trabalho de inúmeras maneiras e plataformas diferentes, grids e filtros. Mas também encontrei no meio disso tudo a necessidade de uma válvula de escape para relaxar e poder falar besteira sem me engessar pela seriedade profissional e descobri que o caminho mais simples sempre será a melhor solução.

Posts patrocinados podem ser ótimos, google analytics e hashtags podem ser ferramentas úteis mas não precisam ser o foco principal de um portfólio. Uma das vantagens de se trabalhar com o que gosta é poder se divertir no processo, no fim das contas a boa e velha pastinha com mais ou menos 15 projetos debaixo do braço ainda serve para te apresentar para o mundo, seja lá em qual forma ela vier.

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