Sobre crescer – ou por que já não amo mais fazer aniversário.

Na minha infância, o meu aniversário era o melhor dia do ano. Esperava ansiosamente, contava as horas para a chegada de 30 de Agosto. Eu ganharia presentes, seria paparicada, todas as minhas vontades seriam atendidas. No almoço, só o que eu mais gostava de comer estava na mesa. Acordava com café da manhã na cama, já recebendo presentes e carinho. Na escola, todas as atenções eram voltadas para mim. Era simples (e muito prazeroso): a protagonista daquele dia era eu. Eu escolhia o que queria fazer e todos faziam o possível para que isso acontecesse.

Isso mudou depois que vim morar em São Paulo. 2011. Naquele ano, pela primeira vez na vida, passei meu aniversário longe quem eu mais amava. Meus pais, meu irmão, meu então namorado, todos estavam longe. Quase ninguém ao meu redor sabia que era meu aniversário. A alegria que eu sentia todo dia 30 de Agosto não chegou naquele ano. E nem no ano seguinte. E nem no próximo. E eu não conseguia entender o que havia mudado, por que algo que amava tanto hoje tem um gosto tão agridoce.

Esse ano, finalmente entendi. Eu cresci. E, com isso, percebi que não somos protagonistas em nenhum outro lugar que não a nossa própria vida – e, as vezes, nem isso. O centro do mundo não sou eu. Nem mesmo no meu aniversário. Não ganho mais presentes de todo mundo (só alguns poucos e bons), não ganho café da manhã na cama, nem todas as minhas vontades são atendidas. Tenho que trabalhar, fazer prova na faculdade, limpar a casa. Não dá mais pra fugir das responsabilidades, nem por um dia. E o isso vale pra quem me rodeia, também.

Para piorar, tive ótimos aniversários quando era criança e, graças à isso, sou condenada a ter que lidar com toda essa expectativa de que o dia vai ser INCRÍVEL (mas, que na verdade, vai ser a mesma porcaria de sempre).

Hoje, penso que a forma que cada pessoa encara o aniversário está ligado à maneira como ela vê sua própria vida. A ficha precisava cair: pra mim, aniversário agora nada mais é do que o marco que indica você passou por mais um ano e tem um ano a menos para viver.

Agora, o tempo passa rápido e, quando menos esperamos, o aniversário chega pra nos lembrar de tudo que queríamos e deveríamos ter realizado, que mais um ano acabou e ainda não conseguimos tomar as rédeas da vida e fazer aquilo que havíamos planejado. Curiosamente, a realidade da finitude deveria fazer com que nós pensássemos em viver uma vida autêntica. Uma vida de acordo com o que queremos de verdade fazer e viver, e não uma vida construída a partir do que as outras pessoas querem ou acham melhor para nós. Contudo, ao realizar essa reflexão, a única conclusão possível para mim é relacionada à todas as oportunidades e vontades perdidas durante o ano que se passou.

O bom de ter finalmente conseguido concluir tudo isso? Correr atrás e, daqui há 1 ano, poder reverter este processo e quebrar o padrão.

3, 2, 1…. Vai.