nicotina

A frase é só minha: um cigarro.

Os lábios curvaram-se para sustentar o filtro, os olhos quase se fecharam na tentativa de atingir a chama emitida pelo fósforo. A mente vagava entre o labirinto de pensamentos e lembranças, buscando qualquer resquício fragmentado. O primeiro trago chega como alívio, dissipando a nicotina em um aspirar de felicidade. O frio faz suas mãos tremerem levemente, e a íris esverdeada corre pela varanda vazia. Existe alguma coisa na noite que o torna único. Não pelo mistério, nem pela tentativa de parecer ser o que realmente é. Talvez uma serenidade frenética, tornando a figura fora de contexto.

A fumaça corta o céu azul marinho e dissipa-se, enquanto ele observa o fenômeno com o olhar vago, tentando, em vão, fazer sentido as alegorias do passado. São três tragos que o prendem daqueles segundos, os quais mais lhe pareciam horas. Pela metade, o cigarro fazia sentido apenas a quem fumava, e ao lado, o castanho olhar limitava-se a observar, talvez imaginar um futuro nada promissor.

O tempo de ambos era limitado por um cigarro. Nicotina. Alcatrão. Monóxido de Carbono. Dois idiotas mergulhados na solidão, e em minutos, compartilhavam nada além de nicotina.

E no fim, a frase é só dela: um cigarro.

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