Por que minha Matemática piorou no Japão

Quando decidi fazer intercâmbio para o Japão, tinha grande expectativa de conseguir melhorar minhas habilidades matemáticas, uma vez que existe certa fama de o nível de escolas asiáticas nas áreas exatas ser bem avançado. E de fato, no ensino médio japonês o número de aulas de matemática é bem grande, sendo Introdução a Cálculo uma matéria obrigatória. Mas o sistema educacional tradicional não permite que as pessoas de fato aprendam Matemática.

Matemática é o tipo de coisa que só se aprende fazendo; para entender uma fórmula, é preciso saber usá-la em diferentes situações e ter uma noção de sua origem. Mas entender uma fórmula não significa decorá-la; decorar é algo desnecessário num mundo onde a informação é tão facilmente obtida. Também é perda de tempo saber fazer contas de cabeça com números quebrados, pois há tempos a humanidade possui a calculadora.

Entretanto, o sistema educacional japonês exige somente que o estudante estude, mas não necessariamente aprenda. Isto é, as provas não cobram que se tenha um entendimento de aplicação matemática, mas sim que se decore as fórmulas e os exercícios aprendidos em aula. Basta trocar os números e ter a habilidade de fazer contas num espaço muito curto de tempo. Como resultado, todo mundo apenas decora os passos para resolver os exercícios padrão apresentados em aula, sem nenhuma necessidade de compreendê-los. Uma porção de fórmulas desnecessárias para a resolução de certos problemas são apresentadas, e todas precisam ser decoradas ― algumas questões pedem apenas “escreva a fórmula tal”.

Infelizmente, um ano de matemática no Japão serviu apenas para eu aprender como fazer provas “decoreba”: memoriza-se tudo na véspera do teste e, no dia seguinte, esvazia-se a cabeça para decorar as coisas do próximo exame. E é por isso que eu não aprendi Matemática nesse ano.