Observação

Nadar contra a corrente é sempre uma ação de coragem; seguir o rumo das águas sem se perguntar o porquê de se estar indo por este e não por aquele lado, ou a qual lugar, afinal, se chegará, é menos agressivo do que trilhar seu próprio, inédito caminho para uma vida que satisfaça seus desejos mais profundos e primitivos.

E quando alguém resolve, num impulso corajoso, se libertar da obrigação de ser "mais do mesmo", encontra alguns passos à frente mãos furiosas segurando seus instrumentos de julgamento, como pedras, firmemente nas mãos; pobre da mente fraca neste momento, que recua como um animal ameaçado, a cabeça abaixada, submisso às ordens de uma sociedade que a preenche de regras e padrões.

As pessoas têm grande inclinação a demonstrar cortesia aos que lhe são comuns e uma maior ainda a serem cruéis e insensíveis com o estranho.

Não digo que mudar é fácil; muito pelo contrário, a mudança é dolorosa. É necessário desafiar o seu modo de vida até então cultivado e enfrentar argumentos daqueles que querem seguir a corrente, que são, em sua maioria, seus familiares e amigos mais próximos.

Quando penso em escolhas, penso em arrependimento. O que pensaria eu, em meus setenta anos, da vida que levei? Teria orgulho ou seria amargurada por tudo o que deixei de fazer? Esperaria a morte pensando em como teria sido se seguisse os meus ideais ao invés dos dos outros?