Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.

Diz a lenda que fazer trinta anos e não escrever textão dá sete anos de azar, então aqui vamos nós né?

Entrei nos meus trinta anos de repouso em casa, depois de uma internação inesperada no hospital por causa de uma apendicite. E essa é uma história engraçada.

Quando eu ainda estava no colégio, lembro que alguém da minha sala teve apendicite e eu fiquei muito impressionada com aquilo. Me explicaram que apendicite poderia acontecer por qualquer motivo, até uma unha que você roesse ou "pelezinha" que engolisse poderia causar uma inflamação no apêndice. E aí eu parei de roer unhas, porque queria evitar apendicite. Queria ter o controle de que -aquela- doença eu não teria (soa bizarro, eu sei. mas é verdade).

Uma das grandes coisas que conquistei nesses trinta anos foi, sem dúvidas, passar a aceitar que não tenho controle sobre a vida. Eu posso (e quero) sempre me esforçar pra ser uma pessoa melhor, posso (e quero) sempre agir de acordo com os meus valores, mas no que isso vai dar eu jamais saberei. Abandonei aos poucos aqueles planos mirabolantes e deixei de passar horas sem conseguir dormir pensando no plano A, B e C para agir em uma determinada situação.

As coisas não estão sob o nosso controle, e tudo bem! 
Hoje eu entendo que não importa o quanto eu pense em como quero dar um recado — cada pessoa vai ouvir de um jeito, e tudo bem!
Não importa o quanto eu tente agradar os outros - alguém não vai gostar do que eu fiz, e tudo bem!

O que não dá é pra ver (ou nem isso!) a vida passar enquanto crio listas imaginárias, penso em estratégias e em resoluções pra situações hipotéticas. Ou pra passar horas lidando com a minha frustração por ter feito uma apresentação que não agradou a todo mundo da platéia.
Não dá pra ficar me cobrando por cada partezinha do meu trabalho que não saiu exatamente como eu queria — a vida é assim, que bom!

Hoje eu penso que o maior presente que ganhei (a custa de muita terapia, é verdade) foi a maturidade pra entender que eu não preciso controlar tudo. Não preciso acertar sempre. Nem preciso que todo mundo goste de mim.

E são os "imprevistos" da vida/o que nos foge o controle/o deixar acontecer que nos possibilitam conhecer um restaurante novo, porque o que você queria ir estava lotado. Tomar um banho de chuva voltando da praia. Conhecer uma cidade nova porque seu vôo foi cancelado. Sair pra beber uma cerveja e voltar às 6 da manhã. Se permitir pensar o que quer ser quando crescer.

É o que a gente não planeja que nos possibilita endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.
Ou: amadurecer o tempo todo mas não ficar velho nunca.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.