Sinto Muito

Gabriela Stefany
Aug 31, 2018 · 4 min read

Eu nem sei porque estou me dando ao trabalho de escrever isso para você. Numa escala de 1 a 10, as chances de você ler tais palavras são nulas, inexistentes, zero.

Eu até mesmo cheguei a dizer a meu próprio âmago que não mais te escreveria essas sentimentalidades, já que você nunca foi capaz de compreender a totalidade do que eu sinto ou o real significado das minhas palavras. No entanto, aqui estou eu, traindo a mim mesma.

Você jamais foi capaz de perceber, ou apenas fechou os olhos para não enxergar, que todas aquelas palavras eram para você.

Toda vez que eu chegava assim, fingindo indiferença, e te dizia ao acaso, “leia meu texto”, eu não o fazia para ouvir críticas ou para saber se você gostava ou não do que eu escrevia. Quando eu deixava solto no ar um “leia tudo, não deixe nada escapar”, não queria apenas que você tivesse uma base para opinar, queria que percebesse que tudo aquilo era para e por você.

Mas você nunca pareceu enxergar. E eu também não fiz questão de te dizer isso diretamente.

Mas que se dane. Nada disso importa agora, porque eu e meu maldito orgulho estragamos tudo.

Você não vai mais ler meus textos ou minhas mensagens. Você não vai mais me dizer o quanto acha ótima minha forma de escrever ou me mandar suas poesias bem rimadas. Você não vai mais me contar como está tentando conquistar a garota que gosta ou me dizer o quanto eu sou idiota. Não vai mais me perguntar se eu estou bem ou me retrucar a altura quando te xingo sem qualquer motivo aparente. Não vai mais zoar minha estatura relativamente menor que a sua ou me carregar nas suas costas. Não vai mais me fazer rir com suas piadas nem um pouco engraçadas ou conversar comigo até o nascer do sol. Não vai mais compartilhar comigo quando acha uma música legal ou me recomendar aquele artista que você tanto gosta. Não vai mais fazer algo que não gosto para tentar me tirar do sério ou fazer brincadeiras frívolas para me tirar a paciência. Você não vai mais me sorrir, não vai mais me falar, e a culpa é toda, completamente, minha.

Tudo isso porque eu não soube lidar com sua personalidade, tudo isso porque eu não soube controlar meus sentimentos, tudo isso porque eu não soube te dizer o que sentia sem surtar, tudo isso porque tentei em vão reprimir o real sentimento com um falso ódio, tudo isso porque eu não quis aceitar os fatos.

E agora, eu não posso mais me desculpar, porque você nunca vai ouvir ou ler minhas palavras. E a culpa é minha.

Eu sinto muito. Eu, literalmente, sinto muito. E isso é destrutivo algumas vezes. Eu sinto amor, eu sinto caos, eu sinto cura, eu sinto dor, eu sinto a maravilha, eu sinto a catástrofe, eu sinto o calor, eu sinto o frio, eu sinto o tudo, e agora, mais que qualquer coisa, eu sinto a sua falta.

A vida segue, sempre tem que seguir. Eu tenho me amado e aprendido a lidar com os males e os méritos de ser eu. E tenho aprendido a lidar com o fato de ter deixado as coisas entre nós chegarem a esse ponto.

Tento frequentar os mesmos lugares, falar com as mesmas pessoas… Mas isso se torna doloroso, pois você sempre está lá. “É incrível a capacidade de uma pessoa de fazer parte das nossas vidas”, refleti.

Eu continuo ouvindo as mesmas músicas, porque eu amo as melodias de Do I Wanna Know e Sweater Weather, mas o refrão não tem mais o mesmo significado, porque foi você que as apresentou para mim. E cada vez que eu ouço os primeiros acordes do crawling back to you, eu só consigo te enxergar. E mesmo que isso soque-me bem fundo uma, duas, cem vezes, eu continuo escutando, pois é o mais próximo que tenho de você agora.

Eu continuo frequentando os mesmos lugares, mas não tem a mesma energia, porque você passa ali também. E não tem nada mais doloroso que te ver passar ao meu lado como se não tivéssemos sequer nos conhecido um dia.

O que mais dói é saber que a culpa foi minha. O que mais dói é saber que eu não tive a capacidade de reconhecer desde o início que era melhor tê-lo discutindo comigo todos os dias do que ter que viver como se para mim você não passasse de mera existência. Mas agora, não há mais nada que possa ser feito para reverter isso.

Eu apenas sinto muito.

E sinto sua falta.

Gabriela Stefany

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