BOMBA: Prisão de Eduardo Cunha explode redação

Foto: Fernando Bizerra/ EFE
Gabriel estava se preparando para ir embora quando a redação caiu. Ops, o Cunha.

Após finalizar seu programa esportivo e postar os vídeos no portal, Gabriel considerou finalizada sua função no estágio. Antes mesmo de pensar em se desconectar do mundo, ele assustou-se quando o editor de política, seu vizinho, gritou “Eduardo Cunha foi preso” no meio da redação.

O quê? Eduardo Cunha foi o quê?

Freneticidade assaltou o espírito de Gabriel, embalada pela própria correria que tomou conta do espaço. Exclusividade da notícia, ouvida pela primeira vez da boca de um jornalista que descobriu sabe-se lá de onde. A comoção repercutiu em toda a redação: procura de informações complementares, link acha, link não acha, informação ainda não há, mas há manchete.

Repórter corre para tentar introduzir um parágrafo publicável num “urgente” de pouco conteúdo; gritaria para o portal, que já sabe do informe e segura a ânsia sanguinária para publicá-lo. Editor anda em zigue-zague, talvez com um breve sorriso no rosto ou mesmo um temor no franzir de sobrancelhas, enquanto diretor de redação desce um andar para ver todos tentando entender o que está acontecendo.

Gabriel, hard news do Facebook, tomado pela euforia momentânea e pela vontade de compartilhá-la com amigos, já procura a informação completa sabendo que não a encontraria no tempo que pede. Mesmo na explosão, paciência.

Primeiro tweet no Jota, informação validada, post do Face atualizado. “7 curtidas já, aposto que sobe com o tempo”. Manchetes da concorrência tomando conta do espaço virtual, “urgentes” pipocando nas redes sociais, cada qual com sua marca e sabor, e Estado de Minas ainda sem publicar o seu. Quer ter exclusiva, exclusiva não há mais.

A verdade: Cunha preso. Determinação da 13ª Vara de Curitiba autorizada pelo juiz Sérgio Moro. Justiceiro da nação que já não poderá mais ser condenado por sua parcialidade. Coitado do Lula.

Notícia publicada, jornal atualizado, manchetes refeitas. Já separando as fotos para a capa do impresso de amanhã. Afinal, se um meteoro não cair no Palácio do Planalto, nada tira da pirralha notícia a categoria de destaque.

Sozinho, Gabriel vai embora. Coloca um fone em cada ouvido e saltita ao descer a Afonso Pena. Poderia estar tocando “Alegria, alegria” de Caetano Veloso. Mas o momento era de “Fera Ferida”, saudada na voz da querida irmã do cantor.

Nada fez tanto sentido.

Acabei com tudo
Escapei com vida
Tive as roupas e os sonhos
Rasgados na minha saída
Mas saí ferido
Sufocando o meu gemido
Fui o alvo perfeito
Muitas vezes no peito atingido
Composição: Erasmo Carlos/ Roberto Carlos, interpretada brilhantemente por Maria Bethânia.

Fora Temer.