Mundo

Sempre que tenho algum tempo livre, gosto de buscar imagens no Google.

Sim, jogar qualquer coisa no nosso amigo fiel e ver até onde ele me leva.

Experimente. É refrescante.

Digite algo como “café” ou “nuvem” e veja o que ele é capaz de lhe apresentar. Desde desenhos escolares a fotografias profissionais tiradas com câmeras incríveis e imensuráveis, você consegue sentir a plenitude da imagem, quase que tocando a textura do que é mostrado, quase sentindo o aroma de cafezinho novo.

Sempre que tenho algum tempo livre, gosto de buscar imagens em redes sociais, como Instagram, Pinterest (uma rede social MA-RA-VI-LHO-SA) e Tumblr.

Experimente. É inexplicável.

Digite algo totalmente aleatório, bem mais que “café” e “nuvem”, e verá a superficialidade na maioria dos resultados de busca. É gritante a diferença. Enquanto o Google mostra imagens dos anos 40,50 e, ao mesmo tempo, imagens dos anos 2000, quando jogado no seu campo de busca a palavra “escritor”, o Instagram mostra selfies que não tem nenhuma ligação com sua busca. Erro de servidor? Pode até ser, mas também é algo que está acontecendo e não podemos parar ou desacelerar: globalização.

Tudo está na ponta da… Opa, quase que escrevo língua. Ponta dos dedos. A famigerada acessibilidade criou uma teia de notórias versões de algo aleatório. E olha, chegando até esse ponto do meu texto, concluo que a aleatoriedade é a verdadeira rainha da globalização. Tudo hoje é aleatório. É tão mais fácil se apegar a algo aleatório porque, como esperado e predeterminado, outras aleatoriedades virão. E o aleatório é volátil justamente por não ser uma constante.

Minha intenção não é falar mal da globalização. Eu gosto dela. Ela nos faz crer em situações ausentes nas nossas rotinas, nos faz sentir empatia com histórias de desconhecidos aleatórios e nos mantém próximos, mesmo afastados. Claro que ela também apresenta uma vertente negativa, como o fato de que crianças de (no mínimo) 4 anos já conseguem, sozinhas, colocar um vídeo no YouTube e ficar trocando-o sem terminá-lo, puxando o texto para outra ponta: a ansiedade excessiva causada pela intensidade da aleatoriedade — criada com o auxílio da globalização — a qual estamos tão habituados.

Meu professor de Análise de Macroambientes Contemporâneos (uma das disciplinas da grade de 1º semestre de jornalismo) falou algo como “eu não entendo essa pressa de não conseguir terminar uma música sem já trocá-la”, e eu fiquei pensando que EU estou inclusa nessa galera apressada. Eu não termino música alguma sem mudar, mas isso acontece porque uma música lembra ou remete à outra, e me parece perda de tempo esperar a melodia terminar, sendo que eu já sei o final (por sobrenatural que pareça, nós sempre sabemos o final de todas as músicas. Pare para pensar), me fazendo agir no impulso e pressionar o “próximo”. Sim, a globalização me pegou. E pegou gostoso.

Eu estou há praticamente 5 dias sem celular. Como estagiária e universitária, minha carteira não é das mais cheias. Meus 30 centavos ainda me salvam do placar zerado, e como meu celular simplesmente parou de funcionar, não tenho, ainda, como pagar o conserto. Mas esses curtos (ou não?) 5 dias têm sido necessários, pois estão me fazendo notar que eu realmente NÃO preciso de tanto acesso ao mundo. Consigo acessar meu Facebook, meu Medium e mais alguns sites pelo notebook, e Facebook, por exemplo, só uso para tratar assuntos da faculdade e do meu trabalho — trabalho muito pelo Facebook, para ver eventos e atualizações na página do jornal (onde eu trabalho) — , e também, como estudante e estagiária de jornalismo, preciso, ao menos um pouco, ficar atenta aos desfechos e aberturas de assuntos mundanos.

O que realmente quero dizer é: tente.

Tente ficar 2 dias, que seja, sem entrar no seu Snapchat. Tente ler mais de 20 páginas de um livro em um dia (para mim, isso é muito difíci). Mesmo parecendo banal e extremamente fácil, você nota que a internet te sugou por completo quando você abre o livro e já pensa que vai levar um tempinho a mais para saber o desfecho do capítulo. Eu sou ansiosa. Tenho surtos de “ai, não vou aguentar esperar e blá blá blá…” e sei que TODO ADULTO passa por isso. Ainda tenho 19 anos, e às vezes me sinto com 16 anos, mas bicho, quando me sinto realmente adulta, dá desespero.

Sem celular, estou notando o quanto se pode amadurecer e regressar com alguns minutos longe de uma tela acesa.

Ficou grande, eu sei, mas meu peito estava pedindo esvaziamento.

Obrigada a você, que leu até aqui. E se você, assim como eu já fiz (e de vez em quando faço), abaixou a barrinha lateral até o final do texto, há algo que você não pode deixar de saber: respire o mundo. Por enquanto, você só tem esse. Saia do celularzinho um pouco, do notebook, da TV de tela plasma, e vai viver. Não condeno ou julgo quem só vive com aparelhos eletrônicos e smartphones grudados na mão ou na cara. Sendo sincera. Não julgo. É direito seu. Mas vamos combinar: também é bem legal sair de casa e olhar o céu um pouquinho.