Reflexo dos sonhos | Exclusividade Grito de Horror

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Sempre gostei de sonhos. Não sonhos como objetivos ou metas. Os sonhos os quais você vive enquanto dorme mesmo. São tão fascinantes pelo simples fato de que você fica dentro e fora do seu “eu”. Você fica em duas dimensões simultaneamente. Isso é mágico.

Não acredito que os tenhamos apenas porque nosso cérebro tenta reproduzir nosso dia vivido de forma em que o subconsciente entre nessa reprodução. Os sonhos são como o outro lado do espelho. E meu relato é exatamente sobre isso.

Na semana passada, sonhei que estava num bosque. Grande e colorido, este parecia um paraíso. Avistei um lago e, imediatamente, fui me olhar no reflexo da água, porque eu sabia que estava sonhando, e só queria comprovar minha certeza.

Olhei nas mais claras águas que vi na vida (real e “utópica”). Mas não me vi. Vi algo. Algo lindo. Uma mulher morena, de cabelos dourados, olhos verdes e lábios rosados. Não sou homossexual, mas pensei em como seria beijar aqueles lábios. Ela me olhou assustada, e eu me assustei também.

E, em seguida, ela sorriu e me chamou.

Me chamou mesmo.

Disse, por baixo da água, meu nome. “Clarissa”. “Venha, Clarissa. Não tenha medo”. Eu sorri. Sem notar, me joguei na água. Porém, no mesmo instante, acordei com uma queimação no corpo todo. Olhei pelos cantos do quarto e só vi escuridão. Tentei me mover, mas da cama não saí. Olhei na janela e vi uma mulher, idêntica ao meu suposto reflexo do sonho.

Ela sorriu. Mas não do jeito meigo de antes. Sorriu como se quisesse me devorar viva. Sorriu como se quisesse sair dali.

Instantaneamente, fechei os olhos e tentei voltar ao sonho. Na verdade, eu sabia que aquilo era parte do sonho ainda. Eu moro no 13º andar de um prédio. Seria impossível alguém simplesmente aparecer na minha janela para me dar um “oi”.

Mesmo assim, tentei voltar ao cenário extraordinário de antes.

Eu estava na beirada do lado. Me olhei no reflexo novamente, dessa vez apreensiva, e me vi. Ufa.

Meus cabelos curtos, lisos e platinados, meus olhos escuros e boca pequena. Mas notei algo em minhas mãos, apoiadas na grama próxima ao lago: bronzeadas. Morenas. Senti de novo a queimação e acordei num lugar frio e escuro, olhando algo pela janela e sorrindo, pois eu sabia que eu já estava acordada. E eu estava faminta. E louca para sair dali.