Distúrbio alimentar da Anorexia Alcoólica afeta cada vez mais mulheres em sociedade.
Gabriel Baltieri e Ricardo Pilotto.

No Brasil estima-se cerca de 14% da população feminina são consumidoras ocasionais de bebidas alcoólicas. Em comparação 4% população feminina afirma consumir álcool em excesso. Os dados são do centro de informação e sobre saúde e álcool, CISA, da Universidade de São Paulo, USP.
A anorexia alcoólica ou drunkorexi, junção da palavra em inglês drunk com anorexia, é um distúrbio alimentar que afeta principalmente mulheres entre 18 a 14 anos de idade.
As pessoas que sofrem de anorexia alcoólica costumam se alimentar pouco e substituir as refeições diárias por bebidas alcoólicas. Assim como a percepção do seu corpo é alterada como reflexo do distúrbio alimentar.
Segundo uma pesquisa realizada pelo Grupo Recomeça, especializado em tratamento de pessoas com dependência alcoólica. Cerca de 30% das mulheres americanas que sofrem dependência alcoólica também apresentam transtornos alimentares. Atualmente o grupo de reabilitação atende cerca de 2,500 casos de alcoolismo feminino por ano só no estado de São Paulo. Os responsáveis por esse trabalho de reabilitação afirmam que casos envolvendo anorexia alcoólica são grandes desafios para equipe.
Segundo Janaina Marques Barbosa, psicóloga clínica especializada em dependência química e alcoólica. O excesso de consumo do álcool pela população feminina brasileira é causado pela conquista do espaço social das novas gerações de mulheres. “Antigamente as mulheres em geral não frequentavam bares e casas noturnas. A figura da mulher era mais associada a donas de casas. Hoje não é mais assim, praticamente não existem mais luares que elas não possam frequentar. Portanto o acesso às bebidas alcoólicas acaba sendo maior.”
A médica também ressalta outros fatores que contribuíram para desenvolvimentos dos casos de anorexia alcoólica. “Muitas mulheres modernas além de conquistarem seu espaço profissional, não abandonaram as responsabilidades de casa. As levando a uma grande pressão psicológica, recorrer ao álcool acaba se tornando uma forma de aliviar o estresse“.
Para o neurologista Fernando Carlos Fascina a resposta para os efeitos de o álcool ser mais devastador nas mulheres com dependência está relacionado à fisiologia do sexo feminino. “As mulheres costuma ter maior concentração de álcool na correte sanguínea do que os homens, o que ajuda a absorver o álcool com mais facilidade, mesmo ambos bebendo as mesmas quantidades.”
