Escarnecido em vida, glorioso em morte

A poesia é medicina
para dias e noites
de insônia

Expressa em páginas
para notas e cadernos
de memória

Lugar muito ao sul
para homens do norte
de saber algum

Coleciona mentes sedentas
para mentiras bem contadas
de poeta nenhum

Sujeito metido a escritor
veste suas palavras escarnecidas 
de reconhecimento

Escrevo para a morte
distante da minha vida
de olhos opacos

Ela me visita em noites escuras
quando a poesia não vem
de dentro

Transforma em inferno
as paredes ocas do meu ser
detento

Estou fedendo a carne podre
rezando poemas para anjos
descrentes

A poesia é tudo
para que o nada exista
de verdade