Nem ao menos humano

Não há motivo para temer 
meu coração pouco esconde
suas batidas aceleradas
tampouco eu
escondo meus sorrisos
carrego toneladas 
para despejar vocabulário
tentando entender meus indícios
despido em uma noite escura
verbalizando para o vazio
gemendo como um animal
muito, muito, distante
longe de ser humano

Ouço me chamando
tento não recusar
mas é muito menos de mim
mais dos outros
fugindo por tanto tempo
criando camadas de concreto
onde estou enterrado
cativando horrores cotidianos
germinando hipóteses de uma apoteose 
sem encontrar respostas
para essa distância
estou longe de ser humano