Ninguém, nem mesmo a chuva

Outros dias 
entre o amanhecer
chuva em meus pés
afundo até os olhos
tentando ser parte dela
até não restar 
mais nada 
chuva
ou 
sol
amanhecer
três da manhã
quarto fechado
seis copos de café
muitos pensamentos
trezentos poemas
era um alívio morrer
enquanto renascia aos pedaços

não faço ideia
quando o amanhã virá
tenho medo
sigo em frente
olho para o chão
tem água em meus pés
não é chuva
afogado
entro em transe
são sete horas de sono
nenhuma delas é minha
doze horas de vida
três foram o bastante para morrer

desculpe
tenho guardado os meus olhos
feito guarda-chuva secando fechados
enquanto o tempo passa
quero acabar logo
todos os momentos
tem o fim dos tempos
quando começar
fico preso na eternidade