Outubro

A inquietude sorrateira se relaciona com meu âmago
Abrindo espaço entre as peças de um sonho
Rasgando os braços do boneco de pano
Ouvi que faço melhor quando não ganho

Luto com ânsia, se não atento enfraqueço
Insana a mente, os pés dormentes, apodreço
A luz é fraca, não me ofusca, enrijeço
Escravo dos pensamentos, enlouqueço

Sob o olha da graça a sombra se desfaz
Sou mais que caça, assombrado pela paz
Que a fé renasça, se não aqui jaz
Poeta enlaça, nada aqui o satisfaz


O pesadelo se repete há duas semanas.

Estou em um plano imaginário a qual só posso enxergar meu quarto, onde estou solitário sob os panos da escuridão.

Estou assistindo meu sono, sentindo receio e medo.

Os pensamentos torturam de diferentes formas, num momento estou sujeito a imaginar meu quarto pegando fogo enquanto durmo. Um absurdo, eu sei. Mas isso não sai da minha cabeça. Quanto mais evito pensar na possibilidade de um incêndio começar de alguma forma espontânea em meu quarto, mais sou tomado pela sensação angustiante da impotência diante da situação.

O pior de tudo é imaginar alguém entrando em meu quarto e perfurando-me com uma faca de cozinha, ou até mesmo usando meu travesseiro para me sufocar.

Tenho evitado dormir.

Para falar a verdade tem momentos que não sei mais quando estou acordado.