Quando te vi pela primeira vez, não me surpreendi.

Fixei meus olhos castanhos na sua expressão apática e tímida que desviava o olhar enquanto te fitava, não me surpreendi.

Para minha surpresa, não me surpreendi.

Frequentamos a mesma roda de amigos, mas não nos conhecemos. Apenas risadas soltas, troca de olhares e de vez em quando um abraço.

Tu tens uma atmosfera estranha, serias tu um planeta e eu um satélite a te acompanhar, mas sem invadir o teu espaço. Atrai-me para perto, mas não tão perto, longe o bastante. Bastava-me o sorriso, o olhar e o abraço.

Seria cômico se um dia me chamasse pelo nome, não sei se responderia por ele. Por medo, não sei. Quando me chamam pelo nome, geralmente me dão bronca. Mas sorriria mesmo assim, não nego tua atenção.


A semana passa num piscar de olhos
Segunda-feira estou pensando em ti
Terça-feira decido ir
Quarta-feira reflito se devo
Quinta-feira volto a ser 
Sexta-feira imagino se acontece
Sábado me desespero
Domingo nada aconteceu

Estou fadado a permanecer
Esperando em meu quarto
A vontade renascer
Meu corpo das cinzas
Chamas do alvorecer
Salpicando entre as brasas
Efervescentes em minhas veias

Cravado em meus pensamentos
Tudo que havia dito
A mim mesmo
Em meus sonhos

Tudo que fingi ter dito
A você
Em meus sonhos

A minha revolta é pelo que não está feito.
É pelas promessas desfeitas.
É pelo silêncio insano das vozes que ecoam.

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