Suturas

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Quarta-feira. Duas horas da manhã trocando mensagens com a pessoa que dizia conseguir costurar um rasgado em meu peito usando apenas as unhas, discutimos por horas a fio até que por fim fui convencido por uma promessa.

Nos encontramos no dia seguinte, ela me mostrou suas unhas longas e afiadas cobertas por um esmalte que faziam suas mãos parecerem estar manchadas por um pretume noturno, conversamos sobre o procedimento por alguns minutos e decidimos fazer isso em sua casa já que ela disse precisar de um ambiente confortável para conseguir costurar com confiança.

Suas unhas perfuravam a minha pele como as presas de uma serpente e seu toque arrepiava a espinha até congelar meus sentidos. Enquanto ela parecia transformar o rasgo em uma sutura perfeita, deixando somente um fio negro saindo em meu peito.

Não soube dizer se foi um descuido ou escolha, mas sua promessa foi cumprida.

Os dias se passaram e acabei percebendo que o fio negro começava a definhar, com medo do pior decidi ligar para a pessoa e questionar o motivo daquilo estar acontecendo. Ela me explicou que a promessa era costurar o rasgo e assim o fez, no entanto quando viu do que se tratava percebera que não adiantaria costurar uma ferida se ela ainda continuava a ser aberta.

Estava tão explícito que o problema não era o rasgo e sim a ferida, mas nunca havia conseguido perceber até que alguém apontasse.

Por um breve momento me senti aliviado, algo me dizia que daquele dia em diante poderia ser mais responsável com as cicatrizes que carrego, mas decidi não retirar o fio que definhava sobre o meu peito para que pudesse me lembrar do dia em que fora salvo pelas presas de uma cobra.