Vou falar verdadeiramente sobre meu caso com o amor.

O conheci ainda muito jovem e o cultivei com muito cuidado, minha mãe me disse para não ter medo dele e deixar que crescesse dentro de mim. Segui seu conselho junto de outros de Hitch — Aquele filme com o Will Smith — Aguardei muito para que tudo saísse como havia imaginado, para falar a verdade foi incrível como tudo tinha dado certo, não importava o fato dele ter passado em outras mãos e que só restava algumas farfalhas. Eu tinha o suficiente em lábios encostados e abraços de despedida, afinal, eu só tinha nove anos.

O que mais eu poderia exigir?

Foi triste saber que meu amor iria para um lugar distante, tinha se passado um mês desde que deixei ele crescer. Mas, enfim, levaram embora e não tinha telefone ou e-mail para manter contato.

Eu precisava cultivar novamente.


Tempos depois o amor surgiu novamente, ainda seguia os conselhos da minha mãe e me sentia preparado para ele.

Já havia passado a primeira vez, a segunda não deveria ser mais complicada.

Aconteceu o que não esperava, e culpei minha mãe por não ter me avisado que espinhos poderiam surgir.

Continuei a cultiva-lo, não me importei com os espinhos que surgiram, eu sentia o amor.

Já ouviram aquele ditado que diz: Quanto mais alto, maior a queda.

Foi difícil aceitar a queda, e o amor me disse.

“ Você é moreno, teu cabelo é feio e não tem olhos azuis”

Eu não entendi bem o que ele quis dizer, mas sei que machucou, aquelas palavras tinham cravado em minha pele e rasgado o peito como uma besta feroz.

Lembro-me de ter dito.

“Não quero mais saber do amor”, tinha apenas treze anos.


Depois do que aconteceu, sempre que o amor começava a crescer eu o arrancava com as próprias mãos.

Vivi uma confusão intensa, pois não queria ter que fazer isso, mas tinha medo de me machucar de novo. Então, comecei a guardar cada amor em uma caixa de sapato velha.

Virou um costume meu ficar olhando o que tinha na caixa, no fundo eu tinha a esperança de que eles poderiam crescer mesmo ali.

Quando a caixa ficava cheia, tudo ficava uma bagunça e se espalhava bagunçando minha cabeça. Mas não queria ter que joga-los fora, por isso, decidi escrever sobre eles.

Eu tinha quinze anos, escrevia com a péssima caligrafia que possuía mas com palavras verdadeiras. Naquela época não sabia o que era poesia, prosa ou rima. Só me sentia melhor quando escrevia.


Atualmente tenho dezessete anos.

O amor não mais bate na minha porta, como também não procuro por ele.

Sinto como se tivéssemos uma trégua, evitando qualquer tipo de problema.

Larguei a caixa de sapatos antes de começar a faculdade, queimei tudo que tinha ali.

Continuo escrevendo, minha caligrafia está melhor, tenho algum conhecimento sobre poesia e não somente escrevo sobre amor.

Por fim o amor ainda vive por aí, sinto ele se aproximar as vezes, mas nossos olhares não se cruzam.

Não sei se sou eu recuando, ou ele se abstendo.

Temos nossos próprios motivos, por isso não me apresso.

Se for para acontecer, então que aconteça.

É certo que é incerto
Esse plano de amar — Django Frankl